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Especialista fala sobre o fim do mundo e afirma: “O anticristo será o próximo Papa”. Leia na íntegra e entenda

Por ocasião da recente declaração do autointitulado “Jesus Cristo Homem”, de que 2/3 da população mundial morreria no dia 30/06 e diversas outras previsões de que o mundo acabará em 2012, entrevistamos o palestrante Luiz Carlos Fernandes, conhecido por ser um profundo estudioso do Apocalipse.

Durante a entrevista, Fernandes afirmou que as lideranças cristãs não instruem os fiéis a respeito das revelações do Apocalipse, e essa postura, abre brechas para o surgimento de falsas doutrinas: “Infelizmente não é raro as lideranças evangélicas afirmarem que esse [Apocalipse] é um livro velado, misterioso, impossível de ser entendido. Sinal evidente que as mesmas não são verdadeiros servos de Jesus Cristo, além de o chamarem de mentiroso, pois se Ele diz que é uma revelação como podem afirmar que é um mistério?”, observa.

Perguntamos a Luiz Carlos Fernandes sobre as tentativas por parte de alguns líderes religiosos de prever a data do fim do mundo, e sua resposta foi enfática: “Essa postura é diametralmente oposta à direção que Jesus deixou aos seus discípulos, pois ele mesmo declarou em Atos dos Apóstolos, no versículo 7 do capítulo 1 que ‘não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade’. Na verdade isso é uma estratégia de Satanás para confundir o povo de Deus […]Fanáticos e extremistas religiosos tem saído pelo mundo afora a propagar data, dia e hora para a volta de Jesus lançando descrédito sobre os verdadeiros servos de Jesus Cristo que estudam e compreendem as sagradas escrituras através do Espírito Santo”, afirmou.

Sobre os acontecimentos recentes na sociedade, a nível nacional e internacional, com estabelecimento do casamento gay no Brasil, sugestão do Papa para a criação de uma moeda única mundial e escândalos financeiros envolvendo líderes evangélicos, Fernandes disse que “As Sagradas Escrituras afirmam em Apocalipse 17 a respeito de uma grande prostituta e de suas filhas […] Essa grande prostituta de Apocalipse 17 é uma igreja, porém não uma igreja qualquer, mas a Palavra de Deus afirma que é a mãe de todas as igrejas! Ela é a fonte geradora de todo o mal e abominações da Terra e pior, tem filhas”, ressaltou.

Confira abaixo a integra da nossa entrevista com Luiz Carlos Fernandes:
Sabemos que no original, Apocalipse quer dizer Revelação, porém, a mensagem em si trazida pelo livro, é apenas um alerta para o fim dos tempos, ou possui lições que devam ser tiradas para o cotidiano cristão?

Por incrível que possa parecer, a resposta para essas perguntas encontram-se logo no primeiro capítulo e primeiro versículo do livro do Apocalipse, que diz: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer”. É importante ressaltar que, assim como em todas as cartas enviadas pelos correios, existe a figura do remetente e destinatário, assim também na carta do Apocalipse, existe o Remetente (Jesus Cristo) e os destinatários (seu servos).

Daí se conclui uma grande verdade atualmente entre o povo cristão, faltam servos, pelo menos de Jesus Cristo. Servos de si mesmos creio que é o que não falta. Infelizmente não é raro as lideranças evangélicas afirmarem que esse é um livro velado, misterioso, impossível de ser entendido. Sinal evidente que as mesmas não são verdadeiros servos de Jesus Cristo, além de o chamarem de mentiroso, pois se Ele diz que é uma revelação, como podem afirmar que é um mistério?

Outro ponto muito importante que salta aos olhos no versículo 1:1 de Apocalipse, é que, essa revelação tem um tempo específico para acontecer: “As coisas que em breve devem acontecer”. Aqui nesse vídeo eu faço uma explanação sobre esse tema:http://www.oamanhahoje.com/revelacaofinaldoapocalipse_dvd01.htm

Ou seja quando os servos de Cristo compreenderem plenamente a profecia é porque ela está para acontecer em breve. Resumindo, quando as coisas escritas nesse livro estivessem prestes a acontecer, seriam entendidas por um grupo especial de pessoas: os verdadeiros servos de Jesus Cristo.

Vemos diversas pessoas e religiões tentando prever o fim do mundo. Alguma delas pode estar certa?

Essa postura é diametralmente oposta à direção que Jesus deixou aos seus discípulos, pois ele mesmo declarou em Atos dos Apóstolos, no versículo 7 do capítulo 1 que ‘não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade’.

Na verdade isso é uma estratégia de Satanás para confundir o povo de Deus nesses últimos dias onde o engano tem se tornado a palavra de ordem. Não é a toa que no sermão profético de Mateus 24, Jesus se refere ao engano nesses últimos dias, quatro vezes em um único capítulo.

Fanáticos e extremistas religiosos tem saído pelo mundo afora a propagar data, dia e hora para a volta de Jesus lançando descrédito sobre os verdadeiros servos de Jesus Cristo que estudam e compreendem as sagradas escrituras através do Espírito Santo.

A palavra “profecia”, no original hebraico, é chazón. Pode ser traduzida como visão, mas significa especificamente “revelação” ou “instrução de Deus”. Nesse contexto, sem a instrução divina, o povo está condenado a uma vida de fracasso e deterioração. O dom de profecia na igreja não tem por objetivo predizer o futuro de ninguém, e sim convencer o pecador de seus maus caminhos.

A profecia segue três fundamentos: consolar, edificar e exortar, conforme 1Co 14:3. Jamais devemos esquecer que a maior profecia é a palavra de Deus. A Bíblia Sagrada é a revelação de Deus para o seu povo, para que este encontre consolo nas horas de aflição, encontre forças e seja ensinado quando lhe falte sabedoria e ânimo ou corrija quando se está andando em caminhos que não são os caminhos do Senhor, ou seja, da Luz, da Verdade e da Vida.

Em 1 Tessalonicenses, no capítulo 5, o apóstolo Paulo explica que não devemos extinguir o Espírito e não devemos desprezar as profecias. O fato é que não havendo profecia, o povo se corrompe, seja a profecia da palavra de Deus.

Recentemente foi autorizado o casamento gay no Brasil, o Papa sugeriu um governo e moeda única mundial e diversos líderes religiosos foram pegos se aproveitando do dinheiro doado à igreja. Na sua opinião esses são sinais e parte do Apocalipse?

As Sagradas Escrituras afirmam em Apocalipse 17 a respeito de uma grande prostituta e de suas filhas. Biblicamente falando, mulher simboliza Igreja. Veja por exemplo nesse texto em 2 Coríntios 11:2, a analogia: “Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo”. Essa grande prostituta de Apocalipse 17 é uma igreja, porém não uma igreja qualquer, mas a Palavra de Deus afirma que é a mãe de todas as igrejas! Ela é a fonte geradora de todo o mal e abominações da Terra, e pior, tem filhas!

Aqui nesse vídeo eu faço mais uma explanação específica sobre esse tema: http://www.oamanhahoje.com/revelacaofinaldoapocalipse_dvd03.htm

Ora se uma Igreja tem “filhas”, as mesmas também só podem ser outras igrejas.

A Bíblia também afirma em Apocalipse 18 que esse sistema formado pela mãe e pelas filhas, virou uma morada de demônios. Eu lhe pergunto: infelizmente não é isso que temos visto nas igrejas hoje em dia, com raríssimas exceções?

Veja o texto em Apocalipse, 18:2: “Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável”. Toda a imundície que temos visto pelo mundo afora, é decorrência dessa ”mãe”, fonte geradora de abominações. É triste como ela tem dado a beber de suas imundícies e falsas doutrinas pelo meio cristão e igrejas e líderes em todo o mundo tem bebido do seu vinho de prostituições. Apocalipse 14:8: “Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição”.

O senhor entende que a internet será uma ferramenta importante de alerta dos cristãos antes do arrebatamento?

Creio que Jesus profetizou literalmente sobre a internet em Marcos 4:22: “Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado”. Hoje todos os veículos de comunicação em massa estão em poder da elite global, porém através da internet tudo aquilo que está sendo acobertado está sendo revelado.

Na série de livros “Deixados para trás”, os autores narram uma história fictícia de cristãos que não foram arrebatados e que buscam formas de se juntar e se ajudar mutuamente. Para você hoje pessoas que se dizem cristãos poderão não ser arrebatados na volta de Cristo devido a falta de sabedoria e conhecimento?

O arrebatamento secreto é uma grande mentira. Um dos truques mais astutos do diabo é iludir os cristãos de que Jesus os tirará deste mundo antes do início dos três anos e meio da Grande Tribulação. Quem acreditar nisso estará totalmente despreparado para esse período e terá sua fé seriamente abalada.

O próprio Jesus assim disse: “Logo depois da tribulação daqueles dias… verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E Ele enviará os seus anjos com grande clanmor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” -Mateus 24:29,31.

Depois da tribulação, aparecerá o sinal do Filho do Homem nos céus. Depois da tribulação, todas as tribos da Terra se lamentarão. Depois da tribulação, verão o Filho do Homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. Depois da tribulação, Ele enviará Seus anjos com o clangor da trombeta e reunirá os Seus eleitos. Somente então Jesus virá para nos buscar — depois da tribulação. Nem um dia antes!

E porque Jesus vai voltar? Para recolher os seus eleitos (eklektos, em grego), os escolhidos, os salvos. Os cristãos ainda estarão pregando o Evangelho e conquistando multidões para o Senhor nessa hora de tribulação. Por que Ele haveria de retirar os Seus obreiros justamente nesses últimos anos, quando as pessoas vão estar mais desesperadas pela salvação e haverá uma das maiores safras de almas de todos os tempos, quando “faremos proezas e instruiremos a muitos”? (Mateus 9:37-38; Daniel 11:32-33).

Ora, se faremos proezas e instruiremos a muitos durante a Tribulação, é porque ainda estaremos aqui. E o Senhor vai precisar de seus servos para explicar às pessoas o que estará acontecendo. Mas se Deus ama tanto os cristãos, alguns podem dizer, por que permitirá que passem pela Tribulação? — Para prová-los! Ele irá provar a fé deles para ver se realmente crêem. Será que vão pregar o Seu nome ou se envergonharão dEle, deixando de dar testemunho da sua fé para tentar salvar suas vidas? Ele irá tentar purificá-los pelo fogo para, como diz a Sua Palavra, embranquecê-los (Daniel 11:35).

Se você está lendo isso agora, sinto muito se isso o decepciona! Talvez pensasse que ser cristão seria uma garantia de que Ele viria em seu socorro antes que algo horrível acontecesse. Pois não é assim! A tribulação vai nos fazer passar pelos fogos refinadores, mas os que têm verdadeira fé sairão puros como o ouro.

Sabemos que a Tribulação será um período difícil, ou não teria esse nome. Mas não antevemos, temerosos, uma terrível derrota. Vai ser, na verdade, um momento de grande vitória sobre as forças de Satanás e um tremendo triunfo sobre o ímpio Anticristo. Será uma época de acontecimentos marcantes, mas também haverá poderes impressionantes para nos proteger, livrar e guardar até o fim (Daniel 11:32; Apocalipse 12:7-11; Apocalipse 17:14). Não precisamos nos preocupar nem temer, pois Deus cuidará dos Seus (Apocalipse 3:10; 7:1-3; 12:6).

Muitos acreditam que conspirações como Iluminatis, Nova Ordem Mundial e as Grandes Famílias são mentiras. Qual a sua opinião?

Aproveito essa sua pergunta para deixar um conselho para os cristãos sinceros de todo o mundo pois sei que o alcance do site Gospel+ é muito grande. Pare de investir seu todo o seu tempo em estudar os Illuminatis, a Nova Ordem Mundial, etc… Invista seu tempo em buscar a Deus e compreender o que Ele deseja e espera de você nesses últimos dias! É muito fácil constatar desde o começo do mundo na história sobre Caim e Abel, na Torre de Babel, Ninrode, etc… que o coração egoísta e degenerado do ser do homem que não conhece a Deus se volta para explorar seus semelhantes. Isso não é novidade portanto é claro que existe uma centralização de poder visando dominar os mais fracos.

Porém tenha conhecimento disso, mas não se deixe envolver investindo seu tempo exclusivamente em estudar sobre essas temas. Estude a Bíblia, nela encontrará direção e consolo para a sua vida!

Quem é o Anticristo revelado pelo Apocalipse?

O anticristo será o Oitavo Rei e Papa está em Apocalipse 17,11 , digo Rei e Papa porque após o Vaticano ter se tornado um Pais pelo Tratado de Latrão assinado em 1929 com Mussolini (http://pt.wikipedia.org/wiki/Vaticano), todos os Papas a partir de 1929 além de Papas também são Reis, já que o Vaticano é um Estado Soberano, com o Regime de Goveno Monárquico e como tal seu Chefe Supremo e Líder, o Papa, é também um Rei.

Após a saída de Bento XVI que é o Sétimo Rei e Papa o Vaticano se dividirá em 4 governantes, somente após isso virá o Oitavo Rei e Papa. Na verdade não será humano, será um demônio personificando o falecido Papa João Paulo II, que com certeza foi o mais famoso em todos os tempos. Ele supostamente ressussitará voltando da morte para a vida, ele sim será o Oitavo Rei e Papa o verdadeiro anticristo que a Bíblia revela e levará o mundo a perdição (Apocalipse 17.8)

Gravei 3 palestras sobre esse assunto que renderam 3 DVDs, e estou disponibilizando em alta resolução gratuitamente nesses endereços abaixo:

http://www.oamanhahoje.com/revelacaofinaldoapocalipse_dvd01.htm
http://www.oamanhahoje.com/revelacaofinaldoapocalipse_dvd02.htm
http://www.oamanhahoje.com/revelacaofinaldoapocalipse_dvd03.htm

Confira, pois realmente vale a pena. Visite os sites oamanhahoje.com e tempofinal.com.

No dia 19 de Julho estaremos dando uma Palestra no RJ justamente sobre tudo isso, para aqueles que desejarem participar escrevam para spiritualgroup@hotmail.com. A entrada é franca porém é necessário fazer a inscrição.

Que Deus te abençoe!

Saudações cordiais,

Luiz Carlos Fernandes – Fernandes Spiritual Group

Fonte: Gospel+

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Augustus Nicodemus LopesA entrevista foi concedida à revista Eclesia. Nela, o reverendo Augustus aborda vários assuntos concernentes à crença e a praxis dos evangélicos brasileiros. Confira:

ECLÉSIA: Ateus são aqueles que não crêem em Deus. De que maneira pode existir um “ateísmo cristão”, justamente o título de seu último livro?
O apóstolo Paulo se refere àqueles que professam conhecer a Deus e que, entretanto, o negam por suas obras (Tito 1:16). Chamo de ateísmo cristão a negação de que Deus interfere, age e atua na realidade humana, negação esta feita por pessoas que se professam cristãs e que argumentam usando a terminologia cristã. Na verdade, isto nada mais é que o antigo deísmo, a idéia de que Deus existe mas que não interfere na realidade humana. O deísmo foi a religião dos antigos liberais e continua, ligeiramente modificada, sendo a teologia dos novos liberais. Para mim, admitir a existência de Deus mas negar sua presença na história e na experiência humana é a mesma coisa, ao final, que o ateísmo – só que com capa de cristianismo.

ECLÉSIA: Há quem acredite que o Brasil esteja experimentando um avivamento por causa do crescimento dos evangélicos. Mas o senhor diz que a Igreja sofre sérias ameaças. Isso não é uma contradição?

No meu caso não é uma contradição porque eu nunca afirmei que o Brasil está experimentando um avivamento espiritual. O que constato é o crescimento nas duas últimas décadas das seitas neopentecostais, que a mídia costuma confundir com os evangélicos. Eu sei que há pessoas que são verdadeiramente crentes no Senhor Jesus nesse meio, em que pesem os ensinamentos e práticas estranhos ao Evangelho. Todavia, isto não diminui a ameaça que o movimento representa para a igreja cristã.

ECLÉSIA: Ainda falando sobre o crescimento evangélico, o segmento mais conhecido hoje é neopentecostal. E, talvez pelo aparente sucesso, talvez pelo poder midiático, tem influenciado com práticas e estilos de culto denominações pentecostais e históricas. Esse processo não é irreversível?
Não sei se é irreversível. Este crescimento vem diminuindo nos últimos anos, pois a proposta das igrejas neopentecostais não se sustenta por muito tempo. Cedo ou tarde as promessas da teologia da prosperidade se mostram vazias, gerando uma multidão de decepcionados que vão engordar as fileiras dos desigrejados. Percebe-se, também, a crescente separação e distanciamento destes movimentos neopentecostais do pentecostalismo clássico e das igrejas históricas, o que é muito bom, pois deixa a diferença entre nós e eles mais clara. Infelizmente, a influência das práticas neopentecostais nas igrejas históricas tem feito e continuará a fazer, por algum tempo, considerável estrago. A culpa, em parte, é das lideranças que não prepararam o povo adequadamente para enfrentar estes erros. Mas, a responsabilidade é principalmente dos pastores de igrejas históricas que traindo e abandonando os compromissos que fizeram por ocasião de sua consagração e ordenação, adotaram eles mesmos estas práticas estranhas ao cristianismo histórico, no afã de crescer, ganhar adeptos e aumentar o seu ministério. E não podemos esquecer que se as seitas neopentecostais têm um grande volume de adeptos, isto se deve também ao fato de que tem muita gente interessada em Deus por motivos errados, como saúde, prosperidade e sucesso, deixando a razão maior para trás, que é a glória do próprio Deus.

ECLÉSIA: Os últimos números das pesquisas apontam para um aumento grande do número de pessoas que acreditam em Deus mas não tem uma religião específica. Ou, pelo menos, que não estão em uma denominação evangélica. Provavelmente, porque já estiveram e saíram. Quem é o maior culpado por isso: os abusos cometidos pelos líderes ou o triunfalismo pregado dos púlpitos e que, na prática, não alcança resultados?
Acho que as duas coisas. E devemos nos humilhar e nos penitenciar diante de Deus por isto. Mas eu ainda acrescentaria uma terceira razão, que é a tendência do coração humano de não se sujeitar à disciplina, liderança, governo espiritual e a seguir normas e regras. As igrejas cristãs – pelos menos as sérias – são organizadas de acordo com o padrão bíblico, têm uma liderança espiritual constituída e seguem normas encontradas na Palavra de Deus. Obviamente nem todo mundo tem disposição para fazer parte de uma comunidade onde ficará sujeito a cobranças, questionamentos e perguntas sobre sua vida individual, sobre seu comportamento, hábitos e decisões. Ou seja, muita gente que se considera evangélica não quer a responsabilidade inerente à membresia de uma igreja séria. Em resumo, o crescimento do número dos desigrejados se dá tanto pela falha da igreja organizada quanto pela rebeldia de boa parte dos próprios desigrejados.

ECLÉSIA: Em seu último livro, o senhor aborda temas como o fato do crente ficar ou não doente e a prática de expulsar o diabo. Particularmente, o senhor já viu casos escabrosos ou até esteve presente diante de práticas estranhas e que o motivaram a escrever sobre isso? Pode falar sobre elas?
Sobre crentes ficarem doentes, não creio que precisemos dar evidências e provas disto. É claro que ficam. E nem sempre é falta de fé, resultado de um pecado específico ou demonização. Já orei por gente que ficou boa e também por gente que morreu em seguida. É Deus quem cura, quando quer e se quiser. Já me deparei com diversos casos de possessão demoníaca em meu ministério. Alguns deles, verifiquei em seguida, não se tratavam realmente de possessão. Mas pelo menos dois deles só consigo explicar como sendo casos reais de possessão demoníaca. Acredito que a possessão demoníaca é uma realidade em nossos dias, mas não acredito que tudo que se considera como tal, nas igrejas neopentecostais, é de fato possessão. Há muita mistificação e engano, muita confusão de sintomas de doenças mentais e distúrbios psicológicos com demonização.

ECLÉSIA: Mas batalha espiritual é um assunto bíblico. Só que o senhor já disse que esse conceito foi contaminado pelo paganismo que se infiltrou no meio eclesiástico. Como assim?
Sem dúvida, a batalha espiritual é um assunto totalmente bíblico. Paulo nos diz em Efésios 6 que nossa luta real é contra os principados e potestades, as forças espirituais do mal nos lugares celestiais. Não tenho dúvidas quanto a isto. Satanás é real e suas tentações e seu poder são reais. Ele está presente e ativo no planeta Terra, como já disse alguém. O problema não é este, mas sim como enfrentamos Satanás e suas forças. O moderno movimento de batalha espiritual ensina conceitos e práticas que não encontram fundamentação bíblica, como quebra de maldições, espíritos territoriais, oração de guerra, mapeamento espiritual, cobertura espiritual, demônios associados com doenças específicas, associação dos nomes das divindades pagãs do umbandismo com espíritos malignos determinados, – enfim, a lista é grande. Procuramos em vão no relato bíblico da vida e obra de Jesus e dos apóstolos evidências de que eles faziam mapeamento espiritual, demarcação de território, amarração de potestades, quebra de maldições. Para mim, a igreja não deve adotar práticas que não sejam claramente apoiadas pela Escritura. A fonte de autoridade para estas práticas no movimento de batalha espiritual não é a Bíblia, mas declarações de pessoas endemoninhadas, sonhos, visões, palavras proféticas, supostas revelações e outras fontes subjetivas que acabam tomando o lugar da Palavra de Deus na vida do crente e da igreja. Isso tudo abre a porta para a entrada de crendices, misticismo e paganismo na igreja.

Ateísmo CristãoAteísmo Cristão é o título do novo livro do rev. Augustus Nicodemus, publicado pela editora Mundo Cristão

ECLÉSIA: Por outro lado, o senhor diz que não é totalmente contra o Natal. Mas essa festa não tem origens e práticas pagãs, como a própria árvore e as luzinhas? Não seria uma contradição?
As festividades natalinas modernas com árvore de natal, luzinhas, Papai Noel, ceia com peru, troca de presentes e onde nem se menciona o nome de Jesus Cristo são claramente uma prática não cristã. A origem desta prática realmente é pagã, mas não a idéia de celebramos o nascimento do nosso Salvador Jesus Cristo. Se os anjos se alegraram com o nascimento dele, formando um coral celestial para entoar louvores a Deus, se os pastores e os magos foram adorá-lo e se a encarnação de Deus Filho é considerada na Bíblia um evento crucial da história da salvação – sem o qual não haveria sua morte e a sua ressurreição – vejo como perfeitamente cristão celebrar o nascimento do Salvador. Como não sabemos a data exata de seu nascimento, seguimos a antiga convenção cristã de fazê-lo no dia 25 de dezembro. Poderia ser em outro dia qualquer. Natal não é dia santo.

ECLÉSIA: As igrejas por aqui geralmente são acusadas de copiar tudo dos Estados Unidos. De bom e de ruim. Inclusive, práticas espirituais, demonizando a cultura nacional. De que maneira podemos forjar uma espiritualidade bíblica e ao mesmo tempo brasileira?
É um equívoco demonizar a cultura brasileira – ou outra qualquer – como um todo. Como calvinista, creio na graça comum, isto é, que Deus abençoa as pessoas com habilidade e capacidade para fazerem arte, música, cultura, descobertas científicas, mesmo aquelas que não o conhecem e até o negam. Portanto, encontraremos em qualquer cultura coisas boas que refletem a bondade do Criador. Além disto, a verdadeira espiritualidade não tem nacionalidade e transcende as barreiras geográficas e étnicas. Os profetas e os apóstolos eram judeus e viveram numa cultura antiga que já nem existe mais, o Antigo Oriente. Todavia, a espiritualidade deles é a base da nossa. A verdadeira espiritualidade consiste em viver neste mundo de acordo com a vontade de Deus revelada nas Escrituras. E isto nos Estados Unidos, no Brasil ou na China. É claro que o homem espiritual haverá de adaptar-se à sua cultura, mas a base e a fonte de sua espiritualidade sempre será a pessoa de Jesus Cristo, conforme revelada nas Escrituras. Isto não significa negar que se copia muita coisa aqui, não só dos Estados Unidos, mas da Coréia, por exemplo. Todavia, se o que os crentes americanos estão fazendo é biblicamente correto e saudável, qual é o problema em aprender com eles ou com crentes da China e da África? Tem muito nacionalismo irracional no meio evangélico. Tem gente que fala de teologia brasileira, louvor brasileiro, espiritualidade brasileira como se fosse possível isolar este ente etéreo chamado “brasilianidade” da cultura global em que vivemos hoje. As próprias culturas em que a Bíblia nasceu e foi escrita eram misturadas. Copiavam-se práticas, costumes e tradições. Não vejo nenhum problema em aproveitar o que cristãos de outros países fazem certo, desde que o critério final seja a coerência e a conformidade com as Escrituras.

ECLÉSIA: Qual a maior ameaça à Igreja brasileira: as inovações neopentecostais, o liberalismo, o fundamentalismo, o teísmo aberto ou as novas tentativas de reforma?
Cada um destes movimentos representa uma ameaça em seus próprios termos. Eu diria que o liberalismo teológico e as inovações pentecostais são as mais perigosas pelo volume de adeptos e pelo radicalismo. O teísmo aberto é um movimento praticamente defunto no Brasil, pois não encontrou respaldo quer entre os calvinistas, quer entre os arminianos, em razão de negar uma doutrina preciosa para ambos, que é a onisciência de Deus.

ECLÉSIA: Ultimamente os emergentes e grupos que combatem a aridez e os modismos de grandes denominações aparecem como opção para uma nova espiritualidade. O que o senhor pensa dela?
Existem vários tipos de emergentes. Há um movimento dentro dos emergentes que se identifica com o liberalismo teológico e sobre este movimento a minha opinião é a mesma que tenho sobre os liberais. Mas há um movimento emergente que quer manter o compromisso com as doutrinas centrais da Palavra de Deus, com a pregação bíblica, com uma vida pautada pelas normas cristãs de amor ao próximo e santidade de vida. E ao mesmo tempo, querem ser relevantes para sua geração. Eles defendem um culto diferente dos cultos das igrejas tradicionais, mais informal, com música contemporânea e uma ordem litúrgica menos elaborada. Há inclusive um movimento vigoroso de reapreciação pela teologia e práxis da Reforma protestante, que vem exercendo muita influência nas igrejas históricas e nas pentecostais. Eu vejo com muita simpatia este movimento.

ECLÉSIA: Falando em debate e em polêmica, recentemente houve uma discussão pelas redes sociais entre o bispo Edir Macedo, líder da IURD, e a cantora e pastora batista Ana Paula Valadão sobre as manifestações do Espírito Santo. Um dizia que só cai no chão quem é endemoninhado. A outra, que alguém que recebe a unção de Deus pode cair. Como o senhor vê esse debate?
Não acompanhei esta discussão, mas estou familiarizado com o assunto. Estive a muitos anos na Igreja do Aeroporto, em Toronto, da Vineyard, onde começou o movimento da “bênção de Toronto,” que é onde nasceu esta prática de “cair no Espírito.” Estranhei bastante o que vi lá, pois ao comparar as quedas com os relatos de quedas na Bíblica ficava evidente o contraste. Na Bíblia, as pessoas que caíram diante da presença de Deus caíram sobre seus rostos e joelhos, não de costas. Caíram diante do descobrimento do seu próprio pecado, da santidade de Deus ou da glória de Cristo. Em nenhuma destas ocorrências as quedas aconteceram por causa de unção com óleo ou imposição de mãos dos profetas, de Jesus e dos apóstolos. E não encontramos em lugar nenhum da Bíblia qualquer orientação para os crentes sobre este assunto. No caso dos endemoninhados, também não há qualquer registro de gente endemoninhada caindo quando Jesus ou os apóstolos lhes impuseram as mãos. Sempre, o que havia, era a expulsão imediata dos demônios, sem muita conversa. Assim, se eu for tomar a Bíblia como referencial, eu diria que não temos como demonstrar biblicamente que pessoas cheias do Espírito caem no chão e nem que endemoninhados caem no chão na hora do exorcismo.

ECLÉSIA: Já se falou muito em dentes de ouro, risada santa e até em adoração extravagante. Que modismos estão afetando atualmente a Igreja e com quais crentes e lideranças devem ficar atentos?
A lista é grande demais para caber aqui numa entrevista destas… sugiro que consultem o blog do Pr. Renato Vargens, que documenta em detalhes estes modismos.

ECLÉSIA: Em partes tudo isso também não é culpa das lideranças e da formação que elas recebem nas faculdades teológicas? Ou da falta de formação para quem não estuda? Um de seus textos, no último livro, questiona por que tantos seminaristas perdem a fé…
Sem dúvida. Quando um pastor desconhece a história da igreja, a história das doutrinas, a teologia bíblica e teologia sistemática, quando ele não tem nem mesmo as noções mais básicas de grego e de hebraico, quando lhe falta o conhecimento dos grandes credos e confissões da igreja cristã, desconhece as polêmicas teológicas e a obra dos grandes vultos da Igreja Cristã, sua tendência será levar avante o seu ministério na base do improviso, da intuição e do pragmatismo. Ele vai usar como modelo aquelas instituições religiosas que aparentemente conseguiram sucesso em arrebanhar pessoas. Pior ainda, se nos seminários e institutos bíblicos ele teve professores liberais, sairá no mínimo um pastor confuso, incerto e sem convicção sobre nada – e portanto aberto a todo tipo de prática e crença que lhe garanta a posição e o sustento.

ECLÉSIA: Há pouco tempo, o país enfrentou o debate sobre o ensino do criacionismo nas escolas. Depois, a discussão foi sobre o ensino religioso. Como chanceler de uma das mais importantes universidades confessionais brasileiras, de que forma vê a questão?
Esse assunto é muito complexo. A Constituição brasileira e a Lei de Diretrizes e Bases reconhecem a educação confessional, que é aquela feita por instituições de ensino que se orientam por uma ideologia específica. Portanto, instituições de ensino confessionais têm liberdade de ensinar sua ideologia desde que cumpram satisfatoriamente os requisitos e parâmetros curriculares determinados pelo MEC. Não creio que se deva abolir o ensino do evolucionismo nas escolas confessionais. Mas creio que ao lado do evolucionismo se deveria mostrar que existe outra opinião, defendida por cientistas renomados e sérios, quanto à questão da origem das espécies, como, por exemplo, a teoria do Design Inteligente. Isto cumpriria perfeitamente o ideal de pluralidade que se espera de uma escola e de uma universidade. Como está, apenas uma posição é ensinada, como se a mesma não fosse contestada por muitos. É uma ilusão pensar que o ensino pode ser feito de maneira isenta, neutra ou cientificamente laica. Não existe isto. Toda educação parte de uma visão de mundo pré-concebida. Se não for uma cosmovisão religiosa, será uma materialista, humanista, naturalista ateísta, marxista… Portanto, o ensino confessional cristão tem legitimidade. Sobre o ensino religioso, acho que num país onde cerca de 90% da população diz crer em Deus e estar afiliada a alguma religião por si só já é argumento suficiente para não se ignorar a dimensão religiosa e o papel importante que ela desempenha na vida dos brasileiros.

ECLÉSIA: Universidades confessionais têm enfrentado várias crises nos últimos tempos. Tome-se como exemplo a PUC de São Paulo e a Ulbra do Rio Grande do Sul. Não estão administrando o ensino como tomam conta das igrejas? Como o senhor avalia a situação das escolas confessionais e o que o Mackenzie tem a ensinar sobre o assunto?
Eu diria apenas que o setor educacional privado no Brasil, como um todo, atravessa profundas dificuldades administrativas, financeiras e estruturais. As instituições confessionais de ensino, inclusive as universidades confessionais também são atingidas, algumas mais, outras menos. Os desafios são muito grandes.

ECLÉSIA: Recentemente, o Mackenzie foi alvo de protestos por parte de ativistas homossexuais por conta de um texto em seu site que criticava o PLC 122/06. Como o senhor vê esse debate sobre o casamento gay no Brasil? Os evangélicos não correm sérios riscos de serem submetidos a uma mordaça?
É preciso esclarecer os fatos. O que foi publicado no site do Mackenzie nada mais era que o posicionamento da Igreja Presbiteriana do Brasil tomado em 2007 pelo seu Supremo Concílio. Estava no site do Mackenzie desde aquele ano, pois a IPB é a Associada Vitalícia da instituição e suas decisões precisam ser conhecidas. É claro que toda violência feita a um homossexual deve ser punida. Quem agride gays deve ser preso e responder a processo. Aliás, quem agride qualquer cidadão brasileiro, independentemente de sua escolha sexual, deve ser preso. É lamentável quando jovens saem às ruas de noite para espancar gays e travestis. Não podemos concordar jamais com este tipo de atitude – da mesma forma que não podemos concordar com agressões feitas a qualquer pessoa. Acredito que as pessoas têm o direito de escolher o tipo de vida que desejam levar e que não deveriam agredir nem afrontar quem pensa diferente. A Constituição Brasileira garante o direito à liberdade de consciência, religião e expressão. Assim sendo, não posso apoiar nenhum projeto que intente dar direitos especiais a um grupo de brasileiros em detrimento da liberdade de consciência, expressão e religião de outros. Sobre o casamento gay, é claro que sou contra, pois além do conceito ser contrário às minhas convicções cristãs, considero-o um fator de risco para a família. Quanto à mordaça sobre os evangélicos, é bem possível que venha a acontecer, mas a Igreja cristã nunca deixou de cumprir o seu papel de anunciar o perdão de Deus aos pecadores arrependidos mesmo em sociedades hostis, como no primeiro século da era cristã, sob o Império Romano. Lá não tinha mordaça, mas leão, cruz e espada para os dissidentes.

ECLÉSIA: Há pouco, quem esteve no Mackenzie foi John Piper, participando de debates que tiveram sua presença e a de Russel Shedd. Nos últimos anos, a universidade tem sido palco de congressos e grandes eventos que atraíram importantes nomes da fé cristã. De que maneira isso ajuda no amadurecimento da fé evangélica no país?
A realização destes eventos só é possível por causa do apoio da alta direção do Mackenzie, que é composta de cristãos sérios e comprometidos com a qualidade da educação e a visão cristã de mundo. A visão deles, da qual sou um dos executores como Chanceler, é de que o Mackenzie deve contribuir para a sociedade não somente oferecendo ensino de alta qualidade, como vem fazendo há décadas, mas também mostrando que o Cristianismo não exige que abandonemos a intelectualidade, a erudição, a cultura e o bom senso. Por isto, trazemos nomes de peso mundial para nos falar. Para o ano que vem (2012) planejamos trazer Dra. Nancy Pearcey, renomada historiadora da ciência, Dr. W. Lane Craig, um dos apologetas cristãos mais conhecidos hoje, que atua junto às grandes universidades do mundo, Dr. Michael Behe, cientista e biólogo renomado e considerado o pai da teoria do Design Inteligente, além do Pr. Paul Washer, um dos pregadores mais conhecidos dentre aqueles cujo ministério é voltado para os jovens.

ECLÉSIA: O senhor é um entusiasta da internet. Seus textos no blog já viraram até livro. A Igreja tem aproveitado bem a tecnologia e as redes sociais? Ou o mundo virtual é mais uma ameaça à fé do real?
A igreja tem aproveitado bem a tecnologia e as redes sociais. Os evangélicos têm presença marcante nas mídias sociais. Mas, é claro, esta participação pode melhorar, com a inserção de material mais sólido, sério, e que tenha potencial para formar esta nova geração. Portanto, não vejo a tecnologia como uma ameaça – desde que corretamente usada, como tudo o mais na vida.

ECLÉSIA: O senhor é reverendo presbiteriano mas tem trânsito entre várias correntes e denominações. Durante muito tempo, a Igreja Presbiteriana foi criticada por ser fechada. Isso está mudando?
No que tange à minha denominação, não creio que a Igreja Presbiteriana do Brasil tenha sido fechada no passado. Os presbiterianos sempre foram abertos para os irmãos de denominações reconhecidamente evangélicas. Não rebatizamos quem vem destas denominações e servimos a Ceia a todos os que são membros de igrejas evangélicas. Não temos proibição de convidarmos pregadores de outras denominações para nossos púlpitos e nem de participarmos de eventos conjuntos com eles. O que realmente não concordamos é com aqueles que se dizem cristãos mas negam a inerrância da Palavra de Deus, os milagres da Bíblia, a ressurreição de Cristo e sua morte vicária. Também queremos distância das práticas neopentecostais e das seitas. Quanto à minha pessoa, se tenho algum trânsito em outros setores evangélicos isto talvez se deva à principal ênfase do meu ministério, que é pregar expositivamente a Palavra de Deus. Evangélicos de todas as denominações amam a Bíblia e gostam de ouvir explicações sobre ela feitas com simplicidade e clareza.

ECLÉSIA: Sua trajetória pessoal é pontuada por uma sólida formação acadêmica. Sempre que isso acontece, surge o questionamento: como conciliar conhecimento com uma fé viva e dinâmica. Qual é seu segredo? O que diria para jovens ministros que estão começando a carreira e não querem deixar de crer diante de uma Igreja com tantos problemas?
Conhecimento e fé viva não são opostos e nem inimigos. Essa dicotomia é resultado da visão iluminista e racionalista de mundo que prevalece na cultura ocidental desde o século dezoito, que estabeleceu a razão como o critério final da realidade. Antes disto, este conflito estava ausente na vida dos grandes cientistas que nos deram a moderna ciência e que eram, na maior parte, cristãos. Todo conhecimento pressupõe um princípio unificador que serve de orientação e sustentação. A crença na existência de um Deus criador, que é amor e justiça, santidade e misericórdia, que fez o mundo segundo princípios e leis e criou o ser humano à sua imagem, funciona perfeitamente como princípio unificador para o conhecimento. Sendo assim, meu conselho aos jovens pastores é que cultivem a sua mente com a mesma energia com que cultivam a sua vida devocional. Estudem, pesquisem, escrevam, perguntem, discutam. Procurem não somente uma sólida formação espiritual como também bíblico-teológica-geral.

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Augustus Nicodemus é pastor presbiteriano, Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, escritor e blogueiro. Divulgação: Púlpito Cristão

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Como seria o mundo se não houvesse Deus, Bíblia ou Cristianismo? Historiador dá a sua opinião

O historiador e autor do livro “Cristianismo. Questões e debates metodológicos”, André Chevitarese afirma que sem a Bíblia e o cristianismo, o mundo continuaria a dar grande importância à religião, mas seria politeísta, pois segundo ele o culto a um Deus úni se espalhou a com a confecção dos livros que deram origem à Torá e ao antigo testamento, ainda no século 7 a.C, porém, foi com o Novo Testamento que esta ideia se difundiu.

Temos a Bíblia hoje como base na cultura ocidental. Para termos uma idéia de sua influência, basta voltarmos ao século 15, quando Gutenberg criou a prensa de tipos movéis e eolheu como primeiro livro a nela ser impresso, a Bíblia.

Chevitarese defende em suas teses, que se não houvesse sido criado o cristianismo, culturas, crenças e costumes regionais ainda existiriam, pois segundo ele, no politeísmo há mais tolerância e respeito entre as diferenças de credos. Outro fator apontado pelo historiador, é a ciência, “O cristianismo passou a ver as descobertas da ciência como um desafio a Deus e inibiu muitas delas”, diz Chevitarese, que ousa a dizer que caso fosse o contrário, o homem já teria povoado a lua.

Chevitares, ainda faz paralelos entre toda a história da antiguidade e a existência do cristianismo. Para ele após a criação da Bíblia muitos dos costumes já existentes na antiguidade foram modificados e adequados segundo o que conveio aos cristão. Segundo relata e acredita o historiados, o natal, data que comemora-se o nascimento de cristo, foi a apropriação de uma festa dedicada a um dos deuses Gregos (Mitra) e que dentro da Bíblia prega-se o trabalho como dignificação dos homens perante Deus, mas se sua existência fosse ignorada, o trabalho continuaria como na antiguidade, separado por elites e servos; a elite fazendo o trabalho intelectual e o restante do povo o trabalho manual.

Um tanto quanto polêmico, Chevitarese discorre em seu livro sobre sua real crença em que a Bíblia, veio como empecilho para o desenvolvimento da sociedade, principalmente, na medicina/ciência (clones, utilização de medicinas orientais, entre outros vários fatores).

Fonte: Gospel+

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Vocalista do grupo de pagode Art Popular é pastor da Igreja Renascer e faz parte do Renascer Praise

Quem ouve falar do Evandro Soares Marcelo Malli Márcio com certeza fará algum tipo de ligação com o grupo de pagode e samba-canção Art Popular, que surgiu em 1984 e até hoje está nas paradas de sucesso do gênero. Mas por traz de uma voz peculiar e muito gingado, existe uma vida marcada por uma grande restauração.

Evandro aceitou a Jesus em um culto do AREPE ministrado pelo apóstolo Estevam. Mal sabia que o convite de um amigo poderia mudar radicalmente o curso de sua vida. “Depois que aceitei Jesus, minhas atitudes mudaram e isso passou a influenciar a vida de todos os fãs do Art Popular no Brasil”, declarou o cantor.

Depois de um período de caminhada e conversão, Evandro foi convidado pela bispa Sonia a participar do Renascer Praise. “Na época, a bispa me convidou pra gravação do Renascer Praise 11 e eu aceitei na hora. Estava há três anos orando por isso”, comentou.

Em 2008, Evandro foi ungido pastor na Ceia de Oficiais “Eu tenho um GCD em casa há mais de 10 anos, acompanho e aconselho vidas, mas a unção foi algo maravilhoso. Quando o apóstolo Estevam me ungiu vi uma luz muito forte e senti um calor sobrenatural. Chorei muito. Minha vida hoje é cuidar de pessoas”, conta emocionado.

Mesmo com a unção pastoral, com o grupo Art Popular e as participações nas gravações do Renascer Praise, Evandro também é apresentador do programa Gospel Brasil, programa voltado ao público que curte samba, pagode e afins, que é transmitido todas as terças-feiras, a partir das 22h pela rádio Gospel FM.

Acústico, o novo projeto do pastor Evandro

Evandro continua no Art Popular e no Renascer Praise, mas decidiu ampliar o leque de opções no gênero gospel criando um grupo voltado ao evangelismo e adoração. Confira o bate papo com o cantor referente a nova banda.

Hoje, alem de todos os seus trabalhos como músico e pastor, você está a frente da Banda “Acústico”. Como surgiu a ideia de montar esse grupo?
A banda “Acústico” está no meu coração há dez anos e com a experiência profissional que tenho no Art Popular queria fazer o mesmo para louvar e evangelizar.

Qual é o estilo da banda? Quais são as influências?
Misturamos o black com rap, rap com rock, pop com rock , samba com pop, samba com rap e outras misturas harmônicas e melódicas…A nossa influência é escutar todas bandas e cantores gospel que tenham unção, isso nos influencia. Mas a nossa essência é única e exclusiva…o Renascer Praise é a minha escola de adoração.

Vocês já têm músicas prontas? Fale um pouco sobre elas.
O repertório já está praticamente fechado e as músicas são das nossas experiências diárias com o senhor, ministrações, vida de pessoas, fatos do cotidiano, batalha espiritual, intimidade com Deus, Amor a deus, Amor às vidas e amor à família e às ovelhas e consideração aos líderes espirituais.

A banda possui alguma versão do Art Popular?
Vamos regravar a música “Aleluia”, que foi gravada em uma catedral do Harlem, nos Estados Unidos e vamos regravar a música “Encontro”, que tem muito a ver com o livro de Cantares.

Tem previsão da gravação do primeiro CD?
Estaremos em estúdio em setembro. Vai ser maravilhoso.

Fonte: Igospel

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ET’s existem e foram criados por Deus, afirma astrônomo do Papa

Em setembro de 2009, em visita às novas instalações do Observatório do Vaticano no Castelo Gandolfo, sua residência de verão, o papa Bento XVI segurou e examinou atentamente um meteorito que se desprendeu de Marte e caiu no Egito por volta de 1911. O papa também quis saber detalhes das atividades dos telescópios da Igreja católica instalados nas montanhas do Arizona, nos Estados Unidos. Passou 45 minutos fazendo perguntas e conversando com os cientistas. “Isso é muito tempo para o papa, acredite”, conta o padre jesuíta e astrônomo José Funes ao subir o elevador da PUC-RJ – onde participou de encontro internacional Evolving Universe – para uma entrevista com o Terra.

Diretor do observatório astronômico e responsável pelas pesquisas da Igreja que envolvem a formação e a evolução das galáxias, procura de formações semelhantes ao Sistema Solar, Big Bang, física quântica e teoria da relatividade, Funes não acredita que ciência e religião sejam antagônicas. Para ele, são duas maneiras de explicar a razão de existirmos e como viemos parar aqui. Enquanto a ciência provê respostas através de testes e teorias, acredita ele, a religião oferece explicações do ponto de vista da fé. Mas por que estaria a Igreja procurando respostas no céu?

“Não procuro Deus diretamente em meu telescópio, observando as galáxias. Mas sim na procura pela verdade, na colaboração com as outras pessoas, ao comunicar o que estou aprendendo. É uma maneira de encontrar Deus”, explica o padre. Confira a entrevista:

Você sustenta que a bíblia não é um livro científico. Como ela deve ser lida?
Funes – “A bíblia é a carta de amor que Deus mandou para seu povo, com a linguagem de 2 mil anos atrás. Naquela época, não havia o conhecimento científico que nós temos hoje. Não podemos ler a bíblia achando que nós vamos encontrar respostas para as nossas perguntas científicas.

Como isso se aplica na comparação entre a história de Adão e Eva e a Teoria da Evolução, de Darwin?
“O que continua verdadeiro na mensagem é a humanidade como um todo e sua origem em Deus. As pessoas tinham que entender onde estamos do ponto de vista da fé. De onde viemos? Por que há maldade no mundo? O autor da bíblia tenta responder essas questões do ponto de vista da fé”.

O senhor considera o Big Bang como a teoria científica que melhor explica o começo do universo. Onde entraria Deus nesse processo?
“O Big Bang é uma interpretação modal para entendermos a origem do universo. É uma teoria inventada pelo homem. Uma maneira intelectual que encontramos para entender a origem do universo. Se entendermos o Big Bang como começo do universo, então entenderemos que o universo existe por causa da vontade de Deus. Nós estamos falando aqui, nesse lugar bonito que é o Rio porque de alguma forma, não sabemos direito como ou por quê Deus está nos sustentando. Não é um fato científico, mas é um fato metafísico. É algo que vai além da ciência”.

A ciência poderia provar a existência de Deus?
“A existência de Deus não pode ser provada com um teorema matemático. Nós somos racionais. Nossa fé é racional. Nós podemos encontrar Deus usando nossa inteligência. O universo inteiro existe por causa de Deus. Logo tudo o que está nele é motivado pelo desejo de Deus criador”.

Certa vez, o senhor cogitou que se descobríssemos a existência de vida em outro planeta, eles poderiam ser seres livres do pecado original. Como isso se daria?
“Não temos nenhuma prova até agora de vida fora da Terra. Então é uma resposta hipotética para uma pergunta hipotética. Se existir, faz parte da mesma vontade de Deus que proporcionou a nossa existência. Nós somos livres para dizer sim ou não para Deus. O pecado original explica a existência de maldade na história humana. Pode ser possível que haja seres espirituais que podem dizer sim para o plano de Deus. Eles podem ter usado bem sua liberdade. De qualquer forma, esses seres poderiam, ser beneficiados pela misericórdia divina, poderiam ser amigos de Deus.

Teorias científicas dizem que em determinado ponto a Terra vai ser destruída, provavelmente engolida pelo sol. Isso seria parte da vontade de Deus?
“É parte da nossa realidade. Somos seres frágeis, podemos ver isso com os terremotos. É parte da nossa natureza. Qualquer coisa pode nos causar dor e sofrimento. De acordo com o nosso conhecimento de evolução estrelar, sim, poderia ser o fim da Terra. Mas temos cinco bilhões de anos até que isso ocorra. Podemos aprender como sobreviver ou como ir para outra estrela. Mas nós temos que aprender que somos muito frágeis. É parte de nossa vida. Temos que ser cuidadosos com a nossa Terra e como usamos nossos recursos naturais. Tudo tem um equilíbrio muito gentil. Temos que ter cuidado.

Para se fazer ciência, é necessário ter dúvidas, enquanto a religião fornece certezas. Não são duas coisas conflitantes? Como o senhor concilia?
O que me motiva não são dúvidas, são perguntas. Sou curioso para entender como funciona o universo. Claro, algumas vezes você tem dúvidas para testar suas idéias. É assim que funciona a ciência. Eu não diria que Deus provê certezas. Deus provê conforto, consolo. Consolo quer dizer que você vive em paz, com amor pelo próximo, esperança e fé. Não quer dizer que tudo está bem, tudo está ok. O sofrimento também faz parte da vida cristã. Mas você também pode sofrer e lidar com as dúvidas com profunda paz. Fazer ciência é uma maneira de encontrar Deus. Eu fui treinado a encontrar Deus em tudo o que fazemos. Podemos encontrar Deus em nossa conversar ou no seu trabalho. Se é algo que você gosta de fazer e quer transmitir para os outros. Porque Deus se comunica de maneiras distintas. Precisamos de um tipo de treinamento para escutá-lo e para seguir o seu consolo”.

O senhor acredita que é importante difundir o conhecimento científico ou nem todos deveriam saber o que realmente ocorre?
“É muito importante. Os seres humanos, desde o começo do universo, são inspirados pelo céu, pelas estrelas. A astronomia coloca em perspectiva a procura do conhecimento de onde estamos nesse imenso universo. Todas as pessoas têm o direito de se perguntar essas questões. Acho que todos deveriam ter o direito de saber, por exemplo, que o universo tem 14 bilhões de anos. Quando dou palestras para o público em geral, eu repito isso. Porque apenas uma parte muito pequena da humanidade tem acesso a esse tipo de conhecimento. Todos deveriam ter acesso. É parte da nossa natureza humana. Todos deveriam ter a chance de aprender”.

Fonte: Terra

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Ser espiritual ou ser religioso? Confira entrevista com o Pastor Brian McLaren

Brian McLaren é uma das vozes mais controversas do cristianismo contemporâneo. Se ele fala sobre teologia, interpretação bíblica ou como a Igreja deveria funcionar, sempre acaba irritando algumas pessoas. Portanto, é surpreendente que seu novo livro, Naked Spirituality [Espiritualidade desnudada], ele tente reunir algumas das coisas que ajudou a desconstruir.

RELEVANT: De todas as coisas que anda pensando e escrevendo hoje em dia, por que era importante para você publicar agora este livro sobre a espiritualidade desnudada?

McLaren: Fico muito contente por ter perguntado isso, pois acho que surpreendi algumas pessoas. Já havia escrito muito sobre as mudanças que estão acontecendo em nossa cultura e tratei de algumas mudanças de nossa compreensão do Evangelho, da teologia, do que a Igreja é e o que ela faz, mas muitas pessoas esquecem que fui pastor durante 24 anos. Toda semana eu pregava sermões e fazia aconselhamentos, ajudei pessoas a chegarem à fé em Cristo, fiz funerais, casamentos e todas as outras atividades.

O meu verdadeiro trabalho era o de ajudar as pessoas a ter e a desenvolver uma vida espiritual. É assim que via o meu chamado como pastor, então não sou apenas um teórico que fica tendo ideias o dia todo. Em minhas viagens acabo conhecendo muitas pessoas e elas me fazem perguntas.  Tenho notado que, para muita gente, quando você retira delas seus conceitos pré-formatados da doutrina cristã, não sobra muita coisa. Não existe uma espiritualidade viva, resultante de um relacionamento profundo com Deus. Não há práticas que as ajudem a manter sua alma aberta e em contato com Deus. Foi isso que eu percebi. Então pensei: é sobre isso que preciso escrever. Queria abordar sobre como posso ajudar as pessoas a reconstruir o que deveria ser a sua base, mas que, seja por negligência ou algum outro motivo, simplesmente desapareceu.

R: O que você diria para aqueles que não tem forças para reconstruir? Por onde acha que deveriam começar?

McLaren: No livro proponho uma espécie de modelo, usando os quatro estágios do crescimento espiritual. O terceiro é algo muito desafiador, e o chamei de “perplexidade”. Muita gente chega nessa terceira fase e acaba ficando nela pelo resto de suas vida. Elas vivem nesse tipo de perplexidade, na qual os compromissos que tinham acabaram sendo desconstruídos e nada de novo surgiu dentre os fragmentos que sobraram. Entendo esse sentimento. Uma das coisas que isso me mostra é que não fizemos um trabalho bom o suficiente na primeira e na segunda fase, de estabelecer alguns dos alicerces da espiritualidade e da formação espiritual. Agora estamos colhendo as consequências disso.

Há muito mais para ser descoberto em nossa vida, na fé e na vida com Deus. Algo que vai muito além dessa fase. Se você desistir nesse ponto, acaba perdendo o que ainda está pela frente. Mas aqui é que está o problema. Não vivemos em um vácuo. Se não tivermos cuidado, o que acontece durante a perplexidade é que nos tornamos vítimas de um novo tipo de complacência. As pessoas acabam se tornando participantes inconscientes de um consumismo complacente. Você quer ganhar dinheiro, então acaba apoiando os sistemas que criam todos os tipos de guerras, para que assim continue se sentindo confortável. Por ser complacente, acaba aprovando um sistema que está operando em todo o mundo e que acho extremamente prejudicial.

R: Por que as pessoas se sentem mais confortáveis ​​dizendo que são espirituais, mas não religiosas?

McLaren: Gastei alguns capítulos refletindo sobre essa frase tão difundida. Sei que muitas pessoas zombam disso e dizem “ah, eu sou espiritual, mas não religioso” apenas como desculpa. Contudo, acho que é mais do que uma desculpa. Para muita gente, é uma declaração muito bem pensada. No meu livro, explico que as pessoas querem dizer quatro coisas, quando falam isso. Primeiramente, querem dizer: “Não acredito que a ciência, a política e a economia têm todas as respostas”. Mas eles também estão dizendo: “Não acredito que a religião organizada tem todas as respostas”.

Claro, o que elas entendem por “religião organizada” precisaria ser explicado, mas o que elas estão dizendo revela um sentimento generalizado de que seja o que for que a religião está fazendo, leva as pessoas para os fins errados. É organizá-las para ir à guerra uns contra os outros, é organizar essas pessoas para odiar os outros, apenas para criar um pequeno muro de onde podem jogam as outras pessoas para fora e pensam que ele as protege. Algo dentro dessas pessoas diz: “Não acho que seja disso o que estamos precisando”.

Dizer “sou espiritual, mas não religioso” significa que ninguém está oferecendo a essas pessoas uma maneira útil de focar sua fé. Essa é uma das grandes oportunidades, penso eu, para a igreja e para os ministérios de jovens. Podemos responder a essa fome espiritual legítima das pessoas e oferecer-lhes um estilo de vida, um caminho, uma maneira para desenvolver a sua vida com Deus, enraizada nas Escrituras e centrada em Cristo. Acho que essa é uma grande oportunidade e uma grande necessidade, podemos ajudar a dar uma resposta concreta.

R: Porque muitos cristãos temem qualquer coisa que possa estar relacionada com o movimento da Nova Era, porque você acha que os cristãos ficam com medo de usar a palavra “espiritual”?

McLaren: Muitas vezes os cristãos caem na mesma armadilha que muitas empresas caem bem antes de falir. As pessoas param de comprar seu produto e a primeira reação delas é perguntar: “O que há de errado com os nossos clientes?” Elas podem dizer: “O que há de errado com o nosso marketing?” Mas elas não param e perguntam: “O que há de errado com nosso produto?”

Acho que um dos problemas com nosso “produto” é que temos oferecido às pessoas (dependendo da denominação e tradição) apenas uma participação institucional, uma doutrina sistemática, ou mesmo cultos de domingo alegres e agradáveis. Mas não temos lhes oferecido as ferramentas da formação espiritual profunda. É por isso que muitos cristãos, sejam tradicionais ou pentecostais, acabam precisando visitar um mosteiro católico para aprender um pouco sobre essa tradição rica de práticas mais profundas, com uma abordagem mais contemplativa da vida cristã. Muitas vezes a opção de alguns cristãos é apenas ridicularizar a palavra “espiritual” ou ver tudo como uma conspiração da Nova Era… Infelizmente isso acaba apenas afastando mais as nossas igrejas de resolver o problema existente com a nossa abordagem da fé.

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Após defender a união gay, Pastor Ricardo Gondim afirma que sua igreja o aplaudiu de pé

Após defender o Estado laico e o reconhecimento jurídico da união homoafetiva em entrevista a Carta Capital no fim de abril, o pastor Ricardo Gondim (foto), líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista, virou alvo de ferrenhos ataques de grupos evangélicos na internet. Um fiel chegou a dizer, pelo Twitter, que se pudesse “arrancaria a cabeça” do pastor herege. “É como se vivêssemos nos tempos da Inquisição”, comenta Gondim, que já previa uma reação de setores do mainstream evangélico, os movimentos neopentecostais com forte apelo midiático. Surpreendeu-se, no entanto, ao ser informado que, graças às declarações feitas à revista, não poderia mais escrever para uma publicação evangélica na qual é colunista há 20 anos.

“Fui devidamente alertado pelo reverendo Elben Lenz Cesar de que meus posicionamentos expostos para a Carta Capital trariam ainda maior tensão para a revista Ultimato”, escreveu Gondim em seu site pessoal, na sexta-feira 20. “Respeito o corpo editorial da Ultimato por não se sentir confortável com a minha posição sobre os direitos civis dos homossexuais. Todavia, reafirmo minhas palavras: em um Estado laico, a lei não pode marginalizar, excluir ou distinguir como devassos, promíscuos ou pecadores, homens e mulheres que se declaram homoafetivos e buscam constituir relacionamentos estáveis. Minhas convicções teológicas ou pessoais não podem intervir no ordenamento das leis.”

Por telefone, o pastor explicou as razões expostas pela revista evangélica para “descontinuar” a sua coluna, falou sobre as ofensas que sofreu na internet e não demonstrou arrependimento por ter falado à Carta Capital em abril. “A entrevista foi excelente para distinguir algumas coisas. Nem todos os evangélicos pensam como esses grupos midiáticos que confundem preceitos religiosos com ordenamento jurídico e querem impor sua vontade a todos.”

Qual foi a justificativa dada pela revista Ultimato para descontinuar a sua coluna na publicação?

Eu escrevi para a Ultimato por 20 anos. Trata-se de uma publicação evangélica bimensal, na qual eu tinha total liberdade para escrever sobre o que quisesse. Não falava apenas da doutrina, mas de muitos assuntos relacionados ao cotidiano evangélico. E nunca sofri qualquer tipo de censura. Mas, agora, eles entenderam que as minhas declarações a Carta Capital eram incompatíveis com o que a Ultimato defende e expuseram três argumentos para justificar a decisão. Eu não concordo com essas teses e, para dar uma satisfação aos leitores, publiquei uma carta de despedida no meu site (www.ricardogondim.com.br).

A defesa dos direitos civis de homossexuais foi um dos aspectos criticados pelo corpo editorial da revista?

Sim. Eles entendem que o apoio à união civil de homossexuais abriria um precedente dentro das igrejas evangélicas para a legitimação do ato em si, a homossexualidade. Tentei explicar que uma coisa é teologia, outra é o ordenamento das leis. Num Estado é laico, não podemos impor preceitos religiosos à toda a sociedade. Uma coisa não transborda para a outra. Dei como exemplo o fato de a Igreja católica viver muito bem em países que reconhecem juridicamente o divórcio, embora ela condene a prática e se recuse a casar pessoas divorciadas. Eu não fiz uma defesa da homossexualidade, e sim dos direitos dos homossexuais. O direito deve premiar a todos. Num Estado democrático, até mesmo os assassinos têm direitos. Não é porque eles cometeram um crime que possam ser torturados ou agredidos, por exemplo. As igrejas podem ter uma posição contrária à homossexualidade, mas não podem confundir seus preceitos com o ordenamento jurídico do país ou tentar impor sua vontade. Muitos disseram que o Supremo Tribunal Federal tripudiou sobre as igrejas evangélicas ao reconhecer a união estável homoafetiva. Nada disso, o STF estava apenas garantindo os direitos de um segmento da sociedade. Essa é sua função.

Quais foram os outros aspectos criticados?

Eles também criticaram uma passagem da entrevista na qual eu contesto a visão de um Deus títere, controlador da história e da liberdade humana, como se tudo que acontecesse de bom ou ruim fosse por vontade divina e ou tivesse algum significado maior. E apresentaram um argumento risível: o de que a minha tese coloca em xeque a ideia de um Deus soberano. Claro que sim! Deus soberano é uma visão construída na Idade Média, e serviu muito aos interesses de nobres e pessoas do clero que, para justificar seu poder, se colocavam como representantes da vontade divina na terra. Só que essa visão é incompatível com o mundo de hoje. O Estado é laico. As pessoas guiam os seus destinos. Deus não pode ser culpado por uma guerra, por exemplo. Não vejo nisso nenhuma expressão da vontade divina, nem como punição.

O fato de o senhor ter criticado a expansão do movimento evangélico no país também foi destacada?

Sim. Eu fiz um contraponto à tese de que o Brasil ficará melhor com o crescimento da comunidade evangélica. Não acho que é bem assim. Critica-se muito a Europa pelo fato de as igrejas de lá estarem vazias, mas eu não vejo isso como um sinal de decadência. Ao contrário, igreja vazia pode ser sinal do cumprimento de preceitos do protestantismo se os cidadãos estão mais engajados com suas comunidades, dedicados às suas famílias, preocupados com os direitos humanos, vivendo os preceitos do cristianismo no cotidiano. Eu critico essa visão infantilizadora da vida, na qual um evangélico precisa da igreja para tudo e Deus é responsável por tudo o que acontece.

O senhor se arrepende de ter concedido aquela entrevista à Carta Capital?

De maneira alguma. O repórter Gerson Freitas Jr. até conversou comigo, preocupado com a reação que as minhas declarações poderia causar na comunidade evangélica. Mas a entrevista foi excelente para distinguir algumas coisas. Nem todos os evangélicos pensam como esses grupos midiáticos que confundem preceitos religiosos com ordenamento jurídico e querem impor sua vontade a todos. Eu já esperava alguma reação, só não sabia que viria com tanta virulência. Um evangélico chegou a dizer, pelo Twitter, que se pudesse arrancaria a minha cabeça. É como se vivêssemos nos tempos da Inquisição. Recebi inúmeros e-mails com ofensas e mensagens de ódio. Não sei precisar quantos, porque fui deletando na medida em que chegavam à caixa postal. Também surgiram centenas de textos me satanizando em blogs, sites e redes sociais.

E entre os fiéis da sua igreja? Houve algum constrangimento?

Alguns, influenciados pelo bafafá na internet, vieram me questionar. Então fiz questão de dar uma satisfação à minha comunidade. Após discursar, acabei aplaudido de pé, fiquei até meio constrangido diante daquela manifestação de apoio.

Fonte: Carta Capital

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