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Archive for the ‘Artigos’ Category

Por Alessandro Cristian
Malco Heresiano era um rapaz do interior que, em sua adolescência, passou a frequentar uma igreja evangélica pentecostal. Antes de atingir a maioridade recebeu (de Deus?) o dom da palavra. Sim, com “p” minúsculo. E passou então a berrar pregar pelos púlpitos do país.

Ficou nacionalmente conhecido graças às suas pregações que, embora inconsistentes e eivadas de heresias e frases de efeito, agradavam em cheio à turma do barulho – ou turma do reteté, como ele carinhosamente chamava seus ‘fãs’.

Seu ministério foi se expandindo, sobretudo graças às suas aparições frequentes em determinado congresso (movimento?) de heresias e algazarra realizado anualmente num Estado do Sul do país.

Estudou teologia e chegou até a concluir o doutorado (EAD?), embora isso não transparecesse em suas pregações.

Não contente apenas com o alto cachê que recebia como animador de auditório, digo, não contente em ser apenas um “pregoeiro da palavra”, expandiu seus negócios: venda de DVDs, CDs, livros, consórcio (“onde você realiza seu sonho da casa própria em nome de Jesus”), curso de teologia.

Devido ao teor de suas ministrações, muitos duvidavam que ele gozasse de sã consciência. Tal dúvida se agravou quando Malco bradou para quem quisesse ouvir que desejava receber uma cusparada do animador de auditório Bem no Rim, mundialmente famoso por derrubar pessoas, ou girando o paletó ou com seu assopro (ô mau hálito!).

Num arroubo Michael Jacksoniano, mudou radicalmente seu visual, inclusive com aplicações de botox e alisamento da cabeleira outrora quase pixaim.

Abriu até uma igreja própria, a qual foi inaugurada já com 500 membros (ao que tudo indica, peixes pescados em aquário alheio). Até grife própria o rapaz passou a ter.

As camisetas “gospel” também estavam no rol dos produtos. Ah, tá. Camisas com versículos bíblicos? Ao menos isso se espera de um Doutor em Divindade. Antes fosse. Eram camisas com chavões pentecas, do tipo “A tampa da chaleira vai voar” e “Pentecostal que não faz barulho tem defeito de fabricação”.

O moço intentava escrever ainda um livro intitulado “1300 maneiras de levantar um dindim vendendo produtos gospel”, numa alusão à quantidade de produtos disponíveis para a venda em seu site.

Diante desses fatos lamentáveis, vários cristãos passaram a pedir a Jesus coragem e um azorrague de cordéis para expulsar o vendilhão do templo.

Outros se dedicaram com afinco ao estudo e pregação da genuína Palavra de Deus, em combate às heresias de Malco.

Outros ainda passaram a denunciar as picaretagens de Malco em seus blogs apologéticos, e inclusive um deles foi ameaçado de ser processado pelo mesmo, que se sentiu ofendido com o conteúdo das postagens.

Os cristãos passaram também concomitantemente a orar para que Heresiano se voltasse unicamente às Escrituras e à exposição da Palavra. E Deus atendeu tais orações. Malco parou de fazer barulho, de gritar ao microfone receeeeeeeeeeeba!, de invocar anjos, e de todas as invencionices das quais fazia uso.

Hoje, arrependido pelo passado de puerícia, é um exemplo de sabedoria e mansidão, e busca a cada dia se aprimorar-se na presença do Senhor. Suas pregações são uma mescla da ousadia e sabedoria dos pioneiros pentecostais com a profundidade dos pastores reformados. Hoje, é um missionário a serviço de Deus em Timor Leste. E Malco viveu feliz para sempre.

***
Fonte: Alessandro Cristian: Em construção!


Nota do Editor:
A imagem utilizada é meramente ilustrativa. O Marco Feliciano é gente fina, e o Púlpito Cristão apoia o ministério dele. A intenção em divulgar tal imagem é apenas de ajudá-lo a vender consórcios da GMF, em nome de ‘Gezuiz’… (risos!)

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Viva à Graça Comum!

Por Márcio de Souza
Como negar a ação de Deus entre os homens? Ao ouvir clássicos da música como One do U2 ou Miss Sarajevo, onde Luciano Pavarotti leva qualquer um as lágrimas com sua participação especial, fui tomado por um sentimento que me diz claramente que a mão de Deus está por trás desses momentos luminosos de pessoas extraordinárias que passaram por aqui. A musicalidade de Renato Russo, a genialidade do guitarrista John Mayer, a forma assomborsa de atuar de Al pacino e De Niro, tudo isso, segundo a bíblia, vem de Deus! Não é assim que ela diz: “Toda boa dádiva, todo dom perfeito, vem do Pai das luzes…” Não é assim? O demônio não tem parte nisso, ele não tem condições de conceder ao homem nada de bom.

Quisera o mundo Gospel ter em abundânica poetas como Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante do Los Hermanos, gente com personalidade e não meras cópias do que já vemos por aí. Falta autenticidade, para falar a verdade estamos vivendo uma crise de autenticidade. O que nos resta é contestar o que Deus deu a essa gente que arranca lágrimas de nossos olhos, que nos faz rir em momentos de tristeza, que nos faz pasmar diante de um solo de guitarra ou uma atuação perfeita.

O que tenho a dizer neste post raso, porém, em tom de desabafo, é o seguinte: Obrigado Deus pelos nomes citados e muitos outros que eu esqueci!

Minha oração é que deixemos a mesquinhez e a dor de cotovelo e comecemos a criar se é que ainda temos essa capacidade.

Termino com um trecho de Além do que se vê, do Los Hermanos: “Moça, olha só, o que eu te escrevi, é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê”.

OBS: você já ouviu em alguma das nossas letras GOSPEL algo mais transcendente que isso? Eu não… Deus Obrigado pelo Privilégio de ter ouvido esses caras! Aos que acham que isso é do capeta, resta-me dizer: VIVA A GRAÇA COMUM!

E no mais… tudo na mais santa paz!

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Postado por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão

Comentário de Leonardo Gonçalves:

Viva a Graça Comum. Mas sou ainda mais entusiasta quando penso na graça irresistível e eficaz! Glória a Deus, ao Deus bíblico… que nem ao mais profano dos homens privou desta graça comum e providente, trazendo a luz do dia, a chuva e estendendo o firmamento sobre “perdidos e achados”, santos e pecadores. Mas o glorifico ainda mais quando penso no poder do seu soberano chamado e na excelência da nossa vocação, a qual é um chamamento eterno e um decreto irrevogável.

Aleluia!

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Tristemunhos forçados

Por Vera Siqueira
“Ora, descendo Ele do monte, grandes multidões O seguiram. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-0, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra. Disse-lhe então Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai mostra-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo” – Mt 8.1-4

Há pouco assisti por acaso a uma parte do programa Show da Fé do Missionário R.R. Soares. Era a hora dos testemunhos, logo depois da hora dos patrocinadores. Então o Missionário disse algo assim: “não tenha vergonha, se você foi curado dê seu testemunho senão o diabo vem e rouba a sua bênção”. Isso, aliás, é dito em todos os cultos ou programas, para forçar a divulgação dos testemunhos.

Mas qual a base bíblica que fundamenta essa história?

Não me lembro de nenhuma passagem que diga que, se alguém não testemunha de sua cura, ela é roubada pelo inimigo. Jesus agia bem ao contrário, pois muitas vezes, após realizar milagres, pedia que os abençoados mantivessem segredo (mas como as línguas humanas são maiores do que as bocas, quase nunca isso acontecia). Ué, porque o R.R. Soares e tantos outros líderes agem diferentemente de Jesus nesse quesito?

O show da fé não pode parar. Já pensou se, para cada cura, o fulano tivesse que sair da igreja, ir no médico, realizar exames, depois voltar sabe-se lá quando e só então dar o testemunho do milagre? Nesse caso, quantos testemunhos haveria por noite, um, dois, talvez nenhum? Mas se, ao contrário, todos são induzidos a crer que foram curados e que, para não perderem a bênção, têm que declarar na mesma hora a cura, o milagre? Nesse caso, o número de testemunhos é inimaginável!

Porém, fica a questão: houve o milagre de fato? Nem sempre.

Infelizmente há um caso recente de engano. No início desse mês noticiou-se a morte de uma mulher em decorrência de ter parado de tomar os remédios que regulavam seu diabetes, por obediência a um pastor que dizia que bastava ter fé para ser curada. Como esse, há vários casos por esse mundo afora de pessoas vítimas da imaturidade de seus líderes espirituais, que não sabem discernir a voz do Espírito Santo e em nome de outro espírito induzem os fiéis a crerem em curas que Deus não efetuou.

Quem nunca ouviu que se tem que declarar a bênção antes mesmo dela acontecer, como se isso “forçasse” Deus a agir em nosso favor? E quem não conhece alguém que já se frustrou muito pela profecia de um milagre que não aconteceu? Nem sempre a “Confissão Positiva” dá certo, pois o controle do universo está nas mãos de Deus, e não dos homens, embora o Missionário R.R. Soares e tantos outros creiam nisso (basta “determinar” que Deus fará, como se Ele fosse uma espécie de mordomo de luxo).

Esse negócio de dizer que o diabo pode roubar sua bênção tem mais uma utilidade: a de tirar toda a responsabilidade do líder religioso quanto ao provável resultado negativo do negócio. Ora, o milagre aconteceu durante o culto, se depois ele se desfez foi por culpa do fiel que fez alguma coisa errada (não deu o tristemunho, ou o deu com dúvida). O pastor, porém, não tem culpa de nada, foi instrumento do milagre, fez “sua” parte.

Não há coisa pior do que subir num púlpito, testemunhar um milagre que, induzidos pelo pregador, acreditamos ter acontecido em nossa vida, e dias depois constatar que nada de real aconteceu. Os mais fracos podem até se desviar da fé, deixando de crer no poder do “Deus” que lhes foi apresentado. Outros até persistirão, porém com sua esperança definhando domingo a domingo, após cada promessa de “hoje-é-o-dia-que-sua-bênção-vai-chegar” não cumprida.

Líderes que pregam o “tristemunho forçado” são destruidores da esperança que o Evangelho de Cristo nos traz. Que Deus dê maturidade às Suas ovelhas, para não caírem nos enganos dos lobos disfarçados de cordeiros.

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Postado por Vera Siqueira

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Raspadinha gospel

Por Márcio de Souza

Gente, minha irmã teve numa conversa com um grupo de crentes e olha o resultado:

“Eles (os irmãos) foram a uma determinada igreja onde recebiam uma cartela semanal com sete lacunas onde a pessoa iria raspar uma a cada dia para saber em que área de sua vida Deus iria tratar naquele dia, “uma raspadinha gospel” Não sei se era pago; fiquei tão abobada com o relato que nem perguntei.”

Mais uma agora, a raspadinha gospel. Deus agora trata nossa vida por sorteio. Isto é, se eu estiver precisando de um livramento na vida financeira, eu tenho que dar a sorte de raspar certinho em cima da lacuna respectiva, senão Deus vai ter que seguir as regras do jogo e tratar de outra área primeiro.

Essa mania de colocar Deus numa forma me deixa louco. Os caras já estabeleceram o culto da vitória (onde Deus tem que dar vitória), o culto de libertação (onde Deus tem que libertar), o culto da prosperidade financeira (só grana) e agora vem a raspadinha. Tenha santa paciência, né?

Deus não se deixa dominar, nem sistematizar dessa forma. Ele é livre e soberano e sabe sem precisar de joguinhos como tratar de nós. Que possamos rechaçar toda tentativa de ferir a soberania de Deus e que mais e mais pessoas possam denunciar essas barbaridades que estamos vendo hoje em dia. Isso sim é que é escandalizar irmãos.

E no mais… tudo na mais santa paz!

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Postado por Márcio de Souza, em seu blog pessoal

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Por Clóvis José
Está cada vez mais difícil distinguir a crença e as práticas evangélicas dos dogmas romanistas. Historicamente, a igreja católica romana tem feito acréscimos ao ensinamento bíblico e modernamente os protestante também tem feito acréscimos, de modo que torna-se necessário reafirmar os Solas da Reforma Protestante.

SOLA ESCRIPTURA
Os romanistas jamais negaram a Bíblia como Palavra de Deus. Porém a ela, e sobre ela, colocaram a autoridade da tradição e a infalibilidade papal, de modo que a autoridade da igreja é que determina a autoridade da Bíblia. Os protestantes, proclamaram o Sola Scriptura, reconhecendo a suficiência das Escrituras e subordinando a ela qualquer outra autoridade, rejeitando qualquer ensino dissonante. Mas os evangélicos de hoje, tem posto à Bíblia de lado e aceitado profecias modernas, visões de anjos, relatos de visitas ao céu e ao inferno, além de se sujeitarem acriticamente a autoridade de apóstolos, bispos e pastores inventivos. Torna-se urgente proclamar de novo: a Bíblia somente!

SOLA GRATIA
Os romanistas também nunca chegaram a dizer que a graça não era fundamental à salvação. Mas à ela adicionaram penitências e sacramentos e até venderam indulgências para que, por elas, o homem fosse salvo. Os reformadores por sua vez afirmaram que a salvação, toda ela, do início ao fim, é obra da graça, sendo que até mesmo o arrependimento e a fé são dons de Deus. O evangélicos modernos tem deturpado a salvação pela graça, seja fazendo a salvação depender mais do livre-arbítrio que da graça, e exigindo sacrifícios financeiros para que o homem torne-se aceitável diante de Deus. É preciso declarar: Graça somente!

SOLA FIDE
Os romanistas sempre deram destaque à fé, mas lado a lado colocaram as obras, como os meios pelos quais o homem é salvo. Lutero e outros protestantes pregaram a justificação pela fé somente, rejeitando com veemência qualquer insinuação de que as obras obtém méritos para com Deus. A igreja evangélica de hoje tem se tornado tão legalista que depôs a fé e em seu lugar adotou um sistema legalista, onde o crente chega ao céu pela obediência e não pela confiança na obra de Cristo. A fé somente, deve ser nossa bandeira.

SOLUS CHRISTUS
Católicos romanos não negam a suficiencia de Cristo, no entanto dão tanta importância à Maria como intercessora que na prática ela é considerada co-redentora. Os protestantes, mesmo respeitando a pessoa de Maria reafirmaram a verdade bíblica de que não há outro mediador entre Deus e o homem, além de Jesus Cristo. Porém, os evangélicos modernos tem feito a salvação depender da mediação de homens e denominações, praticamente endeusando apóstolos, bispos e levitas. Precisamos reafirmar Jesus Cristo somente!

SOLI DEO GLORIA
Os romanistas não negam glória a Deus. Mas a pretexto de uma distinção artificial entre latria, dulia e hiperdulia, tem repartido a glória de Deus com um panteão de santos mortos. Os reformadores foram enfáticos em dar toda glória a Deus, reconhecendo que tudo provém dEle, por meio dEle e para Ele. Os evangélicos modernos tem seguido fórmulas, métodos e rituais prescritos por líderes mais carismáticos que íntegros, dando-lhes uma glória devida a Deus. Precisamos proclamar glória a Deus somente!

A dura realidade é que apesar de todo esforço dos reformadores, os evangélicos de hoje tem retrocedido suas práticas ao catolicismo medieval. Precisamos mais que nunca reafirmar os Cinco Solas.

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Fonte: Cinco Solas.

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A cuca vai pegar…


Por Renato Vargens

Lembro que quando criança não perdia um episódio do Sítio do Pica-pau Amarelo. Sempre que voltava da escola a primeira coisa que fazia era ligar a TV e assistir as aventuras da trupe de Monteiro Lobato. O Visconde, a Emília, Pedrinho e narizinho, juntamente com os personagens do Sítio me encantavam, entretanto, bastava ouvir o bordão “A cuca vai pegar” que eu tremia de medo.

Pensando nisso, foi inevitável remerte-me aos dias de hoje onde alguns dos chamados pastores evangélicos comportam-se como a Cuca ameaçando suas ovelhas simplesmente pelo fato de terem descoberto que algumas delas pensam em sair da sua igreja. Infelizmente, em nome de Deus, tais pessoas rogam “pragas e desgraças” para aqueles que decidiram sair do seu pequeno reinado. Tais líderes partem do pressuposto que o pastor em nome do Senhor tem o poder de amaldiçoar outras pessoas através da oração positiva e determinante. Em outras palavras, tal ensinamento afirma categoricamente que aqueles que agem desta maneira, podem rogar ao Senhor da Glória o aparecimento de desgraças e frustrações na vida de seus desafetos, determinando assim a desventura alheia.

À luz disso, não tenho a menor dúvida em afirmar que comportamentos como estes não ficam a dever em nada aos trabalhos de macumba e vodu que são feitos nas esquinas e encruzilhadas deste Brasil tupiniquim. Infelizmente a igreja evangélica mergulha em alta velocidade no buraco da sincretização, deixando pra trás valores, virtudes e princípios onde a afetividade e o amor deveriam ser marcas indeléveis de uma comunidade que conhece a Cristo.

Amados, não nos esqueçamos que somos o povo Deus, nação santa, sacerdotes do Deus vivo. Na perspectiva do reino, todos absolutamente TODOS possuem acesso ao trono da graça não necessitando assim criar estruturas monárquicas fundamentadas em experiências muitas das vezes esquizofrênicas e adoecedoras. Quero ressaltar que para nós cristãos, a essência da igreja resumi-se na maravilhosa verdade que nos ensina que fomos chamados para fora deste sistema perverso, ambíguo e separatista, e que agora, independente de classe, cor, posição social, reunimo-nos TODOS indistintamente em torno do Cristo nosso Senhor como a comunidade dos santos.

Soli Deo Gloria!

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Postado por Renato Vargens, no Púlpito Cristão

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Por Alan Brizotti

O que é sucesso na mentalidade evangélica brasileira? É o arrebatar das multidões. A produção frenética do êxtase. O ecoar ensurdecedor dos aplausos. É a milagromania sedutora. É o acúmulo da bajulação. A agenda tão lotada que sacrifica o espaço sagrado da convivência familiar. É o palco e suas luzes. A exposição repititiva da mídia. A escravização do retorno. É a enfermidade da visibilidade.

Pois bem, eu não faço sucesso no mundo gospel. Não tenho essa mídia toda. Ainda desfruto da glória oculta do anonimato. Meu telefone não toca alucinadamente. Ainda sou um rosto na multidão. Meus e-mails ainda são espaços de relação com meus amigos. Ainda brinco com meu filho. Ainda ministro a Palavra de Deus em igrejinhas da periferia. Ainda durmo em paz com minha consciência. Ainda sirvo a Deus, e não a Mamon (Mt. 6.24; Lc. 9.13).

Não faço sucesso no mundo gospel porque não sou filho de pastor presidente. Não tenho as “costas quentes”. Não tenho “padrinhos ministeriais”. Não ando por atalhos, vielas, corredores subterrâneos ou portas secretas de acesso fácil ao poder. Não tenho alianças políticas. Não beijo os anéis dos poderosos. Ainda posso abraçar pessoas anônimas. Gente caracterizada apenas como “membresia desprezível”. Não tenho sobrenome imponente. Não faço parte de nehum clã denominacional. Graças a Deus…

Não faço sucesso no mundo gospel porque não tenho uma conta bancária obesa. Não moro em mansão. Não tenho uma coleção de carros importados. Não sou empresário. Não dou um dízimo astronômico que me garanta privilégios e manias. Minha realidade é a da maioria esmagadora dos brasileiros, irmãos na luta por uma vida melhor, porém digna, honesta. Não vivo de milagres como quem busca entorpecentes para fugir de sua realidade. Meu milagre é continuar honesto. Ainda preciso fazer contas para não avermelhar o mês. Não faço compras na Daslu. Por isso não posso mandar o povo tocar no meu terno, ele não é Armani…

Não faço sucesso no mundo gospel porque tenho a irritante mania de pesquisar a Bíblia. Não consigo aderir à homilética dos enlatados. Não faço massagens, ministro mensagens! Não sei decretar, determinar, encostar Deus na parede. Não consigo violentar textos bíblicos para que eles legitimem meus malabarismos financeiros risíveis. Aliás, minha Bíblia não é uma bússola para o reino encantado do moneycentrismo. Ainda prego umas mensagens retrógradas: cruz, salvação, pecado, graça, retorno de Cristo… Essas coisas que não garantem sucesso.

Não faço sucesso no mundo gospel, mas “prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp. 3.14).

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Fonte: blog do Alan Brizotti

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Por Vera Siqueira
Assustou-se com o título desse artigo? Eu também me assustaria há algum tempo atrás, mas sinceramente se o tivesse feito teria sido melhor.
Hoje cedo liguei a televisão na Rede TV. Toda a manhã de sábado é reservada ao mundinho gospel, com uma infinidade de denominações (a maior parte ministérios da Assembléia de Deus). Quando era nova convertida achava tudo lindo, de Deus, achava os pregadores todos ungidos e honestos em sua trajetória cristã, mas esse sentimento foi-se esvaindo aos poucos, e hoje, tirando uma ou outra exceção, acho tudo um lixo.
Esse sentimento se tornou mais evidente em mim. Após o programa da Igreja Presbiteriana, entrou um pastor do qual esqueci o nome, mas que se auto-proclama o pastor da família. Suas pregações todas giram em torno da família, só que se seu programa dura 30 minutos, a pregação dura menos que 10, e o restante do tempo é usado para vender os dvd’s de mensagens sobre família e casamento. Ou seja, a intenção não é evangelizar, é vender os produtos.
Logo veio o Pr. Jabes de Alencar da Assembléia de Deus do Bom Retiro. Estava com uma camiseta com seu slogan preferido, adaptado dos filmes do Jean Claude Van Damme. Ele inclusive disse que a tal camiseta estava à venda, mas sinceramente acho a da Marcha pra Gezuiz (em fase de elaboração) mais interessante. Ao seu lado, o pastor da Quadrangular (como dói no coração – foi nessa denominação que me converti) Flamarion não-sei-das-quantas, e juntos qual a intenção, a de evangelizar? Não! A de fazer propaganda dos congressos dos quais eles são estrelas, liderados pelo Malafaia. Deveriam pelo menos ter a hombridade de jogar limpo com os telespectadores e de colocar na camiseta: “templo é dinheiro”.
Depois, adivinha quem apareceu? Ele, o próprio, o Pr. Silas Malafaia! Depois de uma pregação encheção-de-linguiça (ou melhor, 1/3 de pregação, já que ele nunca coloca uma mensagem completa no ar) sobre Deus querendo usar o telespectador (sabe quando ele quer te usar? Agora!!!! [ironic mode] ohhhhhh! [/ironic mode] Profecia para os homens: vocês são a cabeça do lar! Profecia para as mulheres: vocês são as sábias que edificam o lar! Profecia para os jovens: vocês são barulhentos! – também, andando com o Pai Dinah Cerullo, o que poderíamos esperar?), ainda tive que aguentar o ”relatório” de gastos do ministério: cerca de 3 milhões desde que foi dada a profetada dos R$ 900,00, mas só agora a petição de novos parceiros ministeriais, já que os tais 3 milhões foram bancados pelas ofertas enviadas. E mais ”não tou nem aí pra você, crítico, pois crítico não faz nada, eu não fico na internet procurando site de crítica, mas tem gente que vem e fala para mim, mas não me importo, é bom que muita gente bata em mim, pois aí Deus vê que estou apanhando tanto e ele tem sua mão sobre mim e me abençoa e quem me critica é pastor recalcado blablabla”. Está duvidando que aconteceu tudo isso de novo, e pior, ainda divulgando que o tal programa da profetada será novamente reprisado 3 vezes em outubro? Assista aqui.
O próximo programa seria de outra Assembléia de Deus, mas desliguei e saí de casa. Sinceramente assisti a essa mini-maratona televangelística com náuseas, enjôos, nojo, expressão fechada, coração doendo. A cada propaganda de produtos gospel, a cada propaganda de “congressos mágicos”, a cada palavra de pregação feita para simplesmente agradar à platéia alienada que aceita qualquer coisa sem discernir, a cada mau uso do nome de Jesus subia em mim uma ira santa. Sinceramente teria sido mais saudável para mim ter assistido ao programa da Xuxa, que pelo menos sei que não serve a Deus, a ver pessoas que usam o nome de Deus em vão. Tudo bem, confesso que não aguentaria assistir a dois minutos da Xuxa, mas aí eis a questão: por que me submeto a assistir horas de programação dita evangélica, que mais ofende do que glorifica ao nome do Senhor?
Dizem que o ser humano tem um gostinho pelo macabro. Talvez seja isso. Mas talvez seja apenas uma curiosidade mórbida para ver até onde alguns são capazes de se vender em nome do Evangelho. Para o sr. Malafaia, pelo que disse hoje, o fim justifica os meios, pois para conseguir manter seus programas no ar, fazer seus congressos e agora dar um curso com hospedagem grátis para 1800 pastores (tentativa de comprar-lhes indiretamente?) é plenamente aceitável endossar uma mentira tão grande quanto a unção financeira dos R$ 900,00. No programa de hoje, ele alega que recebeu muitos testemunhos de curas depois de dadas as ofertas, porém a profetada do Cerullo dizia claramente que quem doasse o dinheiro receberia as riquezas do mundo até dia 31/12. São esses testemunhos que quero ouvir, pois testemunho de cura ocorre todos os dias em todas as igrejas, e de graça, sem a necessidade de se doar R$ 900,00.

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Postado por Vera Siqueira, no Púlpito Cristão

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O evangelho 3G: Grana, glamour e gambiarra!

Por Alan Brizotti

“Uma congregação enorme é algo bom e agradável, mas a maior parte das comunidades precisa mesmo é de alguns santos. A tragédia é que pode ser que eles estejam lá, como embriões, esperando ser descobertos, precisando de treinamento eficiente, aguardando ser libertados do culto à mediocridade” – Martin Thornton

Está inaugurada a portabilidade eclesiástica! Vai ter pastor colocando catraca eletrônica na porta do templo, pelo menos assim dá pra saber (contabilizar) se o fluxo aumentou ou (bate três vezes na madeira da cruz…) se diminuiu. Imagine a cena: uma pessoa chega para o pastor e diz: “Pastor, quero mudar pra essa igreja, mas quero ficar com a minha teologia” – eis a porta(dos fundos)bilidade da fé.

O evangelho 3G chegou pra ficar! Grana, glamour e gambiarra. Agora vai! Só não sabemos pra onde… O problema maior é que os crentes/clientes do balcão da religiosidade tresloucada pós-moderna vão ficar cada vez mais chatos. Para aquela perguntinha do apóstolo Paulo aos Gálatas 3.1: “Quem vos fascinou?”, a resposta hoje será um uníssono: “a portabilidade!”.

O evangelho 3G tem a seguinte configuração:

Grana: O evangelho 3G é o evangelho do moneycentrismo. Você vale o que seu bolso determinar. Se você tem dinheiro, ah, “o céu é o limite”, você pode tudo! O evangelho 3G tem horror a pobre. É a teologia Caco Antibiana! Detesta “ofertinhas” e “viuvinhas”. Tem alergia ao diminutivo. O negócio é a “reunião dos empresários”, a “unção da prosperidade” e o “voto faraônico”. A sua trindade é assim: Lucro, Consumo e Prosperidade. Coitados dos que recebem o famigerado salário mínimo…

Glamour: O evangelho 3G é o evangelho da ostentação, do luxo. Das revistas imitando pobremente a “Caras” (aí fica “Faces”, pra dar uma de crente), aos pastores e pastoras “emergentes” (aqueles “papagaios de piratas” que não perdem uma noite de autógrafos). Eles adoram aparecer na TV. São viciados nos holofotes. Já não andam de carro (principalmente no trânsito eterno de sampa), eles têm helicóptero, chiques não? É o evangelho Dolce Gabana, Daslu, Armani e cia. Coitado do Jesus dos evangelhos, com aquelas sandalinhas de couro… ninguém merece…

Gambiarra: O evangelho 3G é o evangelho da maracutaia. É a igreja de Simão (um mágico safado que percebeu a possibilidade marqueteira e quis “dar uma de esperto” pra cima dos apóstolos – At. 8. 9-20). É a teologia canalha que, em nome de Deus, vai “profetizando” seu estelionato religioso. O evangelho da gambiarra é baseado na lei fundamental da pilantragem: você é um trouxa; eu sou o profeta que vai dar a você a chance de ser alvo da minha esperteza! Você nasceu pra ser iludido; eu, pra iludir – o mundo é maravilhosamente ordenado! Coitados daqueles irmãos que acreditam numa coisa chamada “caráter…

Esse é o Evangelho 3G. Eu até queria escrever mais… só que tô me sentindo péssimo… desculpe, é que a vontade de vomitar é grande… vou correr pro banheiro…

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Fonte: Alan Brizotti

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Sindrome de Thundercat


Por Márcio de Souza

Thundercats, HOOOOO! Era o grito de guerra de Lion para que seus amigos se preparassem para a batalha. Juntos, aquele pequeno grupo de felino-humanos combatiam todas as forças do mal no terceiro mundo depois da destruição de Thundera, principalmente o grupo arqui-rival comandado por Mumm-Rá e seus lacaios, os Mutantes que viviam anteriormente em Plunn Darr. O restante da comunidde do terceiro mundo era muito pacífica para lutar. Vejam os robberbills por exemplo, um grupo de ursinhos que não tinham nem como se movimentar muito rápido de tão gordinhos que eram, que dirá lutar.

Pois é, vendo essa história, lembro muito da situação da igreja brasileira. A realizade por onde passo ministrando é sempre a mesma: Um pequeno grupo de “heróis”, lutando contra todo um arquitetado reino de injustiça ao redor da torre de vigília. As estatísticas dizem que apenas 3% da igreja trabalham para alimentar os outros 97%. Os roberbills gospel estão por aí aos borbotões, gente pacata, porém tomada pela inércia do comodismo cristão dos nossos dias. Estão recebendo alimento e proteção, então tá bom!

O resultado dessa batalha desigual é sempre o mesmo: Ao contrário dos Thundercats que pela tradição do desenho são sempre os vencedores, no reino de Deus existem pastores e líderes sendo triturados por esse sistema que ribomba e transtorna os 3% que ainda estão de pé lutando. Eu poderia aqui citar “N” exemplos e estatísticas para embasar o que falo, mas não precisa, está visível e quem faz parte dos 3% sabe do que estou falando.

Que Deus levante uma geração de gente valente, que parta para o campo de batalha sem medo do que lhe poderá fazer Mumm-rá e seus asseclas. E pra fechar, vai aí pra você o grito que pode e deve te tirar do conforto e te fazer agir contra o que está posto aí fora: ACORDA, TU QUE DORMES! CRISTO, RESPLANDECERÁÁÁÁÁÁ!

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Postado por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão

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Renato Vargens

O catolicismo vivenciado por Portugal foi o pior tipo de catolicismo existente. Os portugueses do século XIX eram extremamente religiosos, místicos, e absolutamente avessos ao desenvolvimento da ciência. Um exemplo claro disso se deu quando Dom José, herdeiro do trono português contraiu varíola. Sua mãe, D. Maria I, por motivos religiosos proibiu com que o rapaz recebesse a vacina que poderia livrá-lo da morte. A crença popular era de que não cabia a ciência interferir no processo de vida e morte de quem quer que seja. Para piorar a situação, Portugal foi o ultimo país europeu a abolir a inquisição. Além disto, numa época de grandes descobertas, os patrícios não produziram um cientista e intelectual sequer. Sem sombra de dúvidas, dentre as nações européias, Portugal foi o mais decadente e o mais avesso à modernização dos costumes e das idéias.

A riqueza portuguesa não era resultado do trabalho e sim do dinheiro fácil extirpado das colônias. Além disso, numa época em que a revolução industrial começava a redefinir as relações e o futuro das nações, os portugueses ainda estavam presos ao sistema extrativista o qual tinha construído sua efêmera prosperidade. Junta-se a isso, que o conceito reinante de prosperidade estava relacionado a ausência do trabalho, até porque, para os portugueses radicados no Brasil, trabalhar era função exclusiva dos escravos, cujo comportamento deveria ser absolutamente diferente dos fidalgos. Entrelinhas, a idéia que se dava é que a prosperidade não era conseqüência direta do trabalho do individuo e sim da exploração do sacrifício alheio, o que indiretamente ocasionava à população a idéia de que sem ter bons padrinhos ou ter nascido em berço de ouro, dificilmente se experimentaria prosperidade financeira. Além disso a crença mística de que os santos católicos intervinham nos dramas humanos corroborava com a concepção de que os cidadãos brasileiros deveriam esperar dos céus as suas riquezas.

Ouso afirmar que a Teologia da Prosperidade encontrou na cultura brasileira o campo ideal para o desenvolvimento de suas doutrinas, até porque, para os adeptos de tal filosofia a prosperidade não se dá exclusivamente pelo trabalho, mas sim pela intervenção milagrosa de Deus mediante decretos e determinismos humanos.

Tenho a impressão que o inconsciente coletivo nacional está pautado na idéia de que se é possível ser rico sem trabalhar. Talvez seja esta uma das razões para termos tantas loterias e raspadinhas espalhadas por este país. Sem sombra de dúvidas afirmo que os cidadãos tupiniquins almejam por prosperar, no entanto, para estes, esta prosperidade não pode em hipótese alguma relacionar-se com o trabalho, até porque, é muito mais fácil e rápido usar de subterfúgios mágicos com vistas ao enriquecimento, do que passar anos a fio dedicando-se ao batente.

Calvino acreditava que o homem possuía a responsabilidade de cumprir a sua vocação através do trabalho. Na visão de Calvino, não existe lugar para ociosidade em nossas agendas. E ao afirmar isto, o reformador francês, não estava a nos dizer de que homem deva ser um ativista, ou até mesmo um tipo de worhaholic. Na verdade, Calvino acreditava que a prosperidade era possível desde que fosse consequência direta do trabalho.

Acredito profundamente que se quisermos construir um país decente e sério, necessitamos romper com alguns paradigmas que nos cercam. Nações bem sucedidas são aquelas que se empenham na construção de valores e conceitos como honestidade, equidade, ética e retidão.

Infelizmente no país do jeitinho, o trabalho nem sempre é visto com bons olhos, até porque na perspectiva tupiniquim, trabalho foi feito para gente miserável e desqualificada que precisa sobreviver.

O tempo de mudarmos nossos conceitos e valores é esse, semeando no coração brasileiro a idéia de que o trabalho é reflexo de uma grande bênção divina, a qual deve ser valorizado e dignificado.

Pense nisso!

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Postado por Renato Vargens

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Cristianismo Híbrido

Por Renato Vargens

Sabe aquele tipo de bebida que encontramos no mercado a qual não sabemos se é refrigerante ou água? Pois é, tenho a impressão de que o evangelho pregado por alguns segmentos dos chamados evangélicos é parecido com isso. Na verdade, determinados grupos sincretizaram de tal forma a fé que não dá para definir sua essência. Isto porque, a mensagem pregada em seus púlpitos é fruto de um cristianismo híbrido onde se encontram pressupostos cristãos e pagãos, espiritualidade e espiritismo, protestantismo e catolicismo.

Para piorar a coisa, tal práxis doutrinária e comportamental encontrou uma enorme aceitabilidade por parte da sociedade, e isto se deve ao fato de que as pessoas deste tempo, buscam desesperadamente por experiências e não a verdade. Elas não querem pensar, querem sentir; não querem doutrina, desejam novidades; não querem estudar a Palavra, querem escutar testemunhos eletrizantes; não querem adorar, querem shows; não querem Escolas Bíblicas, querem circo; não querem o evangelho da cruz, desejam o evangelho dos milagres; não querem Deus e sim as bênçãos de Deus.

Infelizmente estamos vivendo um tempo de paganização, onde cultos se fundamentam em impressões e achismos. Na verdade, o que determina o sucesso do culto não é mais a Palavra, mas o gosto da freguesia. A igreja prega o que dá ibope, oferecendo ao povo o que ele quer ouvir. Esse evangelho híbrido anuncia Cristo juntamente com o evangelho do descarrego, da quebra de maldições , da prosperidade material e não da santificação, da libertação e dos decretos humanos.

Prezados, como inúmeras vezes afirmei neste blog, confesso que estou absolutamente perplexo e preocupado com os rumos da igreja evangélica brasileira. Chego a conclusão de que mais do que nunca a igreja evangélica brasileira precisa URGENTEMENTE de uma nova reforma.

Soli Deo Gloria.

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Evangelho da Verdadeira Liberdade

Por Daniel Grubba
Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
- Paulo em 2Co 3.17 -
A interpretação mais corriqueira deste pequeno versículo parece sempre estar ligada a liberdade litúrgica. É muito comum ouvirmos, principalmente em comunidades mais carismáticas, algo assim: Irmãos, na presença do Senhor temos liberdade, podemos cantar em todos ritmos, dançar como Davi dançou, chorar copiosamente, cair na unção, orar em línguas o mais alto para que todos ouçam, ou se preferir, ficar em silêncio contemplativo. Então, no fim da breve ministração concluem citando o versículo supracitado. É muito bonito, mas este trecho de II Co 2 não tem absolutamente, nada haver com liberdade que se expressa no culto.


Liberdade de culto?

Levarei em conta apenas duas considerações. Em primeiro, a contrário dos mais tradicionais, penso que a flexibilidade litúrgica traz dinâmica e vida ao culto. Não creio que o culto cristão, para ser mais solene, deva assemelhar-se a um funeral, ou deva zelar a todo custo por uma estrutura tradicionalista, rígida e imutável. Desde que haja ordem e decência como nos orienta Paulo em I Co 14.40, podemos torná-lo mais feliz, por assim dizer. Não podemos nos esquecer que nosso povo é expansivo, passional, alegre. Há que se compreender os aspectos culturais. O culto no Norte do país em uma Assembleia Pentecostal, será muito diferente do culto celebrado no Sul em um igreja luterana. Por isto, sempre haverá perigo na vã tentativa da sacralização ou demonização de aspectos culturais “a-morais” e singulares de cada região.


Erro crasso de interpretação

A segunda consideração que gostaria de registrar é de natureza hermenêutica. Como já disse na introdução, a liberdade que o Espírito promove não tem nada a ver com a vida cúltica. Afirmar isto, além de reduzir ao máximo o profundo significado do texto, também é um erro crasso de interpretação. Apenas quem não conhece o contexto imediato do capítulo 3 do segundo livro aos Coríntios pode dizer que a frase – onde o Espírito do Senhor está, ai a liberdade – significa liberdade para “fazer o que der vontade de fazer” no culto.


A verdadeira Liberdade

Então, de que somos libertos afinal? Que espécie de liberdade o Espírito do Senhor promove? Simples, leia todo o capítulo II Co 3.1-18. Como alguém já disse: texto sem contexto, é pretexto.

A primeira coisa que deve ficar bem clara é que a liberdade do Espírito do Senhor, que Paulo discorre em toda perícope, não está de modo algum relacionada a expressões litúrgicas de culto. Pois a maravilhosa libertação ocorre em nós, no interior da gente, no modo como nos relacionamos com Deus em nossos corações, e não fora de nós. Pois é bem possível que haja pessoas que dançam, correm e pulam no culto, mas em seu interior são consumidas por um medo angustiante de serem riscadas do livro da vida, de serem consideradas indignas do Reino, de não serem amadas incondicionalmente por Deus. Sim, muitas vezes, estão pulando, dançando, gritando, pois querem convencer a Deus de que são dignas em si mesmas de obterem a salvação, de que são merecedoras de serem abençoadas. E neste caso, toda liberdade do culto, em todas suas expressões, deflagram apenas uma devoção patrocinada pela culpa.

Então, de acordo com Paulo, seguindo a sequência natural de texto, devemos afirmar que somos libertos da toda frustração e culpa que provém de nossas inúteis e arrogantes tentativas de afirmar nossa justiça diante de Deus mediante a obediência da Lei. Vejamos:

Vers. 3.3 – Somos libertos pelo Espírito do Deus vivo, de um relacionamento primitivo que se fundamenta em tábuas de pedra como na Antiga Aliança, para nos relacionarmos intimamente com Deus, nas tábuas de carne do coração. Paulo está dizendo, na verdade, que não tinha nenhum código de leis, regras legalistas, preceitos mosaicos – tábuas de pedra – para apresentar ao povo de Corinto, como meio de relacionar-se com Deus. Ao contrário, eles iriam discernir a vontade de Deus, lendo e observando as tábuas de carne. Ou seja, o modo de viver de um cristão que aprendeu amar (I Co 13).

Vers. 3.6 – Somos libertos para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra do Antiga Aliança, mas do Espírito; porque a letra, os códigos, os preceitos, e as ordenanças da Lei, são as coisas que matam pela imposição da culpa, mas é o Espírito que vivifica. Posto que a Lei só serviu para mostrar o quanto somos pecadores e incapazes de cumpri-la. “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.” (Rm 3.19).

Vers. 3.7-8 – Somos libertos do ministério da morte que foi gravado com letras em pedras. E que apesar de toda gloria, que estampava-se na face de Moisés, era transitória e temporal; Ficou velha e caduca, pois Hebreus 8.13 diz: Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar. Fomos chamados a liberdade da glória do ministério do Espírito, que é infinitamente maior e eterna.

Vers. 3.9 – Fomos libertos do ministério da condenação, que foi glorioso, mas muito mais excederá em glória o ministério da justiça. Sim, a lei – letra que mata – nos encerrou debaixo do pecado destituindo-nos da gloria, mas a justiça de Cristo, nos declarou para sempre justos diante de Rei. Portanto, não há mais condenação (Rm 8.1).

Vers. 3.11 – Fomos libertos do que era transitório e temporal. E apesar de todo o esforço dos evangélicos legalistas de reavivar uma Lei para se ufanarem de seus gloriosos feitos [...] Nós, os que acreditamos na justificação pela fé, não nos apoiamos em nossa obediência a Lei, que não passam de trapos de imundícia, pois é por Cristo que temos tal confiança em Deus; Pois como disse Paulo em II Co 3.5: “Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus”.

Vers. 3.13 – Fomos libertos da tendência de reproduzir a espiritualidade de Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório. Pois fomos chamados à sermos a semelhança do Filho de Deus, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8.29).

Vers. 3.14 – Fomos libertos do endurecimento dos sentidos; libertos do véu que nos obrigava a guardar a Lei, a qual foi por Cristo abolida. Sim, não somos mais obrigados a obedecer a Lei como meio de justificação, pois ninguém nunca será justificado pelas obras da lei (Gl 2.16).

Vers. 3.18 – Fomos libertos e todos nós, com rosto descoberto, refletimos como um espelho a glória do Senhor; somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. A transformação é obra de Deus, não é algo que possamos fazer por nós mesmos.

Posto isto, devemos afirmar, de acordo com a consciência do Evangelho, que toda e qualquer tentativa humana de guardar a Lei, produzirá frustração e culpa. Sim, ora ficaremos frustrados por descobrir que é impossível cumprir os preceitos, e automaticamente seremos condenados a estado crônico de culpa e ansiedade.


Viver segundo o Evangelho da Verdadeira Liberdade

Viver segundo o Evangelho da Verdadeira Liberdade é poder descansar no fato, de que tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

Viver segundo o Evangelho da Verdadeira Liberdade é poder seguir rumo ao alvo, sem ter a necessidade de olhar para as coisas antigas, pois quem está em Cristo é uma nova criatura, tudo ficou para trás, e novas coisas se fizeram.

Viver segundo o Evangelho da Verdadeira Liberdade é não aniquilar a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu em vão. É poder cantar, dançar, pular; ou se preferir ficar em silêncio em profunda reverência, desde que o coração esteja apaziguado na maravilhosa graça de Deus.

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Postado por Daniel Grubba, editor do Soli Deo Gloria

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Estudo descarta ausência dos pais como fator determinante
Um estudo norte-americano recente publicado na revista Child Development identificou uma relação entre a genética e o início das atividades sexuais dos jovens. A pesquisa analisou mais de 500 adolescentes (com idade a partir de 14 anos), juntamente com seus primos, somando um total de mais de mil jovens. Os pesquisadores identificaram que quanto mais genes os participantes possuíam em comum, mais próxima a idade em que tiveram a primeira relação sexual. “Hoje, considera-se a puberdade precoce em meninas antes dos 8 anos de idade (até 9 anos é normal) ou em meninos antes dos 9 anos (até 10 anos é normal). Sendo que em 95% das mulheres, o desenvolvimento das características sexuais secundárias ocorre entre 8,5 e 13 anos”, explica Moises Chencinski, médico pediatra, homeopata e especialista do MinhaVida.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Oregon (EUA), além dos genes, há pesquisas que colocam que a estrutura familiar também influencia no desenvolvimento da vida sexual. Essas pesquisas mostraram que pais ausentes podem ter relação com o início das atividades sexuais precoce por conta de o jovem observar na família um relação instável, sugerindo assim que as pessoas não são confiáveis e, dessa forma, despertando maior interesse em satisfazer o desejo sexual do que em construir uma família.

Para sustentar a hipótese de que a genética tem maior influencia do que a estrutura familiar, os pesquisadores compararam a média de idade da primeira relação sexual entre jovens que apresentavam pais sempre ausentes, parcialmente ausentes e aqueles pais sempre presentes. O resultado mostrou que 63,2% dos jovens com pais sempre ausentes já haviam tido relações sexuais, enquanto 21% dos jovens, cujos pais sempre estavam presentes, tiveram relações sexuais.

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Fonte: Coluna “Minha Vida” – Yahoo!

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Valorizando a cultura nacional

Por Márcio de Souza

Com freqüência tenho reparado que nossas músicas são cópias ou versões de músicas americanas. Não tenho nada contra, gosto muito de algumas bandas americanas, inglesas e etc… o problema está na falta de criatividade dos músicos evangélicos e do temor de explorar nossos ritmos. Estou começando uma batalha solitária pela valorização dos nossos ritmos e da nossa cultura, e o plano é através de eventos como um sarau alternativo, um workshop, promover a cultura brasileira, além de dizer não a dependência da ditadura das grandes empresas (gravadoras, rádios, editoras).

Espero com isso, que bandas que falam nossa língua sejam incentivadas a produzir mais e terem um lugar onde mostrar o resultado desse esforço. Nós vendemos com uma certa facilidade ao mercado estrangeiro, importamos tudo de lá, música, trejeitos, organizações e até restos de teologia. Comemos todo lixo que derramam sobre nós e ainda lambemos os “beiços”. Chega de reciclar tanta besteira e de repetir os jargões da prosperidade americana, deixemos de viver o “american life style” e passemos a viver a realidade tupiniquim. Vamos assumir nosso lado caipira, nossas influências maracatuenses, nossa porção baianizada, nosso calor humano carioca, e dar asas a cultura brasileira!

Abaixo os movimentos pró cultura estrangeira na igreja. Salve os movimentos legitimamente brasileiros, viva as expressões artísticas nacionais, cheias de ritmos e de batuques, de calor humano e de carisma. Viva a Igreja brasileira!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

E no mais… tudo na mais santa paz!

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Postado por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão

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Vai cachorra, rebola novinha!

Por Márcio de Souza
Estes são alguns dos rótulos que a turma do funk deu a nossas meninas. E sabe o que é pior, elas ainda obedecem aos comandos que as desmerecem. Há uma crise de identidade no meio das mulheres. Hoje elas já não gostam de ser chamadas de princesas, lindas, gatas e outros elogios piegas. O lance é ser chamada de cachorra, vadia, popozuda, safada e outros apelidos depreciativos.

Nos bailes, o pancadão rola e os MC’s falam o que querem das mulheres. Pior, as próprias mulheres do funk não se dão o respeito. Veja só esse trecho de um funk cantado por um grupo de mulheres:

“Eu vou pro baile, eu vou pro baile
Sem, sem calcinha
Agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar
Daquele jeito!”

Gente, é exatamente isso que elas cantam. E com orgulho. A declaração soa como um grito de libertação mas na verdade é um grito de desvalorização. Não podemos concordar que chamem nossas meninas de cachorras e etc… Precisamos assumir uma postura de defendê-las e assim gerar uma resistência aos que insistem em minimizar a mulher e torná-la um simples objeto sexual.

E no mais… tudo na mais santa paz!

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Por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão

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Igreja, versão 2.0: Upgrade da fé


Por Lourenço Stelio Rega
A igreja versão 2.0 é guiada por modelos empresariais, construídos sobre fundamentos psicológicos e sociológicos, em vez de ser guiada por um modelo bíblico a partir de Cristo como o Bom Pastor.
Não somente Deus e o cristão, mas a igreja também tem passado por um upgrade em sua natureza, mas, à semelhança dos efeitos do upgrade de um famoso sistema operacional para seus usuários, os resultados deste upgrade eclesiástico têm trazido enormes prejuízos ao reino de Deus, pois a igreja que temos hoje se distancia em larga escala de seus objetivos bíblicos.

Neste upgrade temos igrejas se organizando com requintes de uma empresa a tal ponto de chegar a propor honorários pastorais a partir de um índice de produtividade, como se lidar com vidas pode ser quantificado e mensurado. A comunhão é substituída pela produção, a igreja como corpo vivo de Cristo se transforma em mailing list, o mundo perdido em clientela ou mercado, a conversão em adesão, as bênçãos em produtos simbólicos ou bens religiosos, a fidelidade a Deus em satisfação ou bem estar pessoal, os pastores em empreendedores, a celebração e o culto em show e performance.

A igreja versão 2.0 enfoca sistemas de organização em vez de enfocar a comunidade, uma filosofia fabril com performance na produtividade no lugar de investimento em vidas e no processo de crescimento pessoal. Focaliza o disponível no caixa e as obras materiais que podem ser realizadas, em vez de investir em vidas, em vocações.

Pessoas são trocadas por programas, relacionamentos por tarefas que precisam ser cumpridas, o encorajamento e o provisionamento de vidas é substituído pela produtividade para que os propósitos sejam alcançados custe o que custar. Os relatórios são repletos de números, estatísticas, atividades, em vez de mostrar como estão sendo nutridas as vidas. As vidas como modelo e promotoras da própria publicidade do evangelho e da igreja são substituídas pela promoção e marketing voltados à produção de demandas e necessidades. A amizade e convivência, que deveriam gerar avenidas de comunicação, são trocadas por índices de produtividade.

Assim, o gerente-pastor tem de tratar as pessoas como objetos, como mão de obra, meios para atingir fins, ficar preocupado com o funcionamento de estruturas e sistemas em vez de cuidar de vidas e buscar o encorajamento do rebanho. O pastoreio, que originalmente é um ministério orientado para vidas, tem agora de ser orientado para o management. O pastor, que deve conhecer as pessoas pelo nome, buscando o seu crescimento, deve tratá-las como bens de produção focalizando programas que precisam ser cumpridos.

A igreja versão 2.0 é guiada por modelos empresariais, construídos sobre fundamentos psicológicos e sociológicos, em vez de ser guiada por um modelo bíblico a partir de Cristo como o Bom Pastor. A igreja foi transformada em atividade e isso se tornou um fim em si mesmo.

Não pense que estou desejando eliminar o senso de organização ou mesmo de realização para a igreja. Afinal a igreja é organismo e todo organismo deve ser organizado, mas a organização não é um fim em si mesma.

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Fonte: Revista Eclesia.

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Deus – versão 2.0

Por Lourenço Stelio Rega

As pessoas têm procurado um Deus que atenda às suas demandas em vez de
buscar a razão de suas vidas em Deus.

Creio que o Deus morto por Nietszche foi agora ressuscitado, numa versão mais sofisticada ao sabor da terceira modernidade. Esta tentativa vem desde a primeira modernidade, no Éden, após a queda de Adão, quando ele quis ser como Deus declarando a sua independência em busca de sua autonomia.

Nova tentativa de um upgrade de Deus foi feita na segunda modernidade iniciada por volta da época cartesiana, lançando-se o homem como fonte da verdade científica. Período chamado simplesmente de Modernidade.

Em todas estas versões há uma transposição em que o homem busca ser o seu próprio Deus. Nesta última versão, o Homem-Deus já não usa mais a capacidade da independência de escolha (Éden – primeira modernidade) ou a razão como sua garantia de afirmar a verdade por si (a chamada modernidade), mas a sua natureza mais primitiva (cérebro reptiliano) como fonte de verdade ética e moral.

A sua vontade de potência (Nietszche, sua índole ou seus instintos (em termos ontológicos e não psicanalíticos) é que determinam as suas decisões.

É uma ética irresistível representada em frases como “porque quando você se dá conta já rolou” ou como na música popular intitulada “Deixa a vida me levar” que diz “fiz o que estava a fim de fazer … meu coração mandou … eu fiz”, ou ainda “o meu coração está em paz…”.

As pessoas têm procurado um Deus que atenda às suas demandas em vez de buscar a razão de suas vidas em Deus. Nesta versão, Deus deixa de ser Deus e passa a ser uma espécie de súdito ou gênio da garrafa que deve atender aos desejos infinitos das pessoas, que se tornaram o próprio Deus. Vemos isso também na Teologia da Prosperidade.

Parece-me que nem a adoração contemporânea escapa disso, com a ênfase na transcendentalidade como que numa espécie de “yoga gospel” em que as sensações místicas subjetivas são as únicas válidas.

É preciso considerar que o homem não foi criado para ser Deus, mas para ser simplesmente homem. Se continuarmos avaliando o que é ser homem à luz do paradigma da modernidade ou pós-modernidade (terceiro Éden), não compreenderemos o real sentido da vida. Neo, no filme Matrix, negou a sua suposta liberdade tomando a pílula vermelha e achou a realidade. Nós precisamos negar a nossa suposta liberdade, voltando ao estado edênico, aí encontraremos a verdadeira liberdade para qual fomos criados. É o paradoxo do Cristianismo – o negar-se a si mesmo e caminhar em direção à ressurreição a uma nova vida (Lc 9.23; Rm 6).

A nossa vida só tem sentido em Deus, versão única e completa, nós só precisaremos, então, sermos humanos, simplesmente isso. Humano, simplesmente humano!

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Fonte: Revista Eclesia

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Diante do Trono? Qual trono?


Nota do Marco Finito, do blog Lion of Zion:

“O texto abaixo não foi escrito por mim. Existem algumas coisas dentro do texto que realmente não concordo, como algumas “satanizações” de objetos e medo de certos ideais comuns aos homens. Também existem coisas interessantes assim como erros de português. Resolvi não corrigir o texto e coloca-lo na íntegra para ter o valor de quem o escreveu. Muito do que é relatado concordo. Em relação à esquemas e visões distorcidas de um evangelho tacanho, que incha sem qualidade. Mas sinceramente como em qualquer texto ou vídeo vistos aqui espero que VOCÊ que lê tenha o seu próprio censo do que é justo e do que convém acreditar ser verdade. Espero que pelo menos as coisas daqui inspirem a sua busca por pesquisa e que realmente teste os espíritos e não seja enganado ou manipulado nem por eles nem por mim”.

Nota introdutória do blog Púlpito Cristão:

“Recebemos o texto via twitter, e após confirmar a veracidade de alguns fatos mencionados, decidimos repassar. Porém, as teorias conspirativas, a rejeição de bandeiras por conter simbolos maçônicos são coisas que nós não endossamos. Atenção: Não queremos dizer que apoiamos a maçonaria; apenas pretendemos lembrar aos leitores que tais símbolos (o triângulo, por exemplo) já existiam muito antes da maçonaria, portanto, essa coisa de que crente não pode olhar para a bandeira tal, ou o símbolo tal é do diabo deve ser lida com discernimento. Quanto ao Peter Wagner e os mágicos do Movimento de Crescimento de Igreja, os leitores do blog já conhecem nossa postura quanto aos seus heréticos ensinos: Somente o Espírito Santo é capaz de convencer o pecador (Jo 16.8) e apenas Deus, por sua soberania e graça, pode apresentá-lo a Cristo (Jo 6.44). Sendo assim, qualquer estratégia pragmática visando inchaço, crescimento numérico, que seja aplicada à despeito do crescimento espiritual, deve ser rejeitada”.

Em primeiro lugar quero te dizer que não conheço Ana Paula e sua equipe e portanto nada tenho contra eles de critica pessoal. Agora sobre o que eles ensinam e pratica e é de conhecimento público segue abaixo:

O ministério DT é resultado de um “empurrão” do pessoal do Christ For The Nations (lá do Texas) para a Ana Paula que estudou lá e lá foi treinada nas técnicas e doutrinas neo-pentecostais, já o irmão dela foi treinado na escola Rhema do Keneth Haggin, também nos EUA. Por acaso, quando os dois estavam por lá foi justo na época (década de 90) em que estavam se aliando as forças mundiais do cristianismo radical que se propunha converter o mundo todo até o ano 2000, ou pelo menos lançar as bases para cumprir a grande comissão custasse o que custasse, esta turma inclui: seminário Falir, vineyards, toronto airport vineyard, profetas de Kansas City, pregadores da prosperidade e riso, Paul Cain e os veterenos do movimento “chuva serôdia”, os dominionistas e certas alas ecumenicas e carismáticas do catolicismo romano, mais recentemente a turma inclui: lideres da Jocum e da Dawn ministries, além de obviamente o G12 que tem se tornado a menina dos olhos da turma toda. O Cristo para as Nações é um ministério muito rico, até 1994 eles já tinha ajudado a construir mais de 9400 templos evangélicos no mundo, inclusive o primeiro templo do David Yonggi Cho na Coreia. Que isto tem a ver com o assunto? Simples, o poderio econômico usado para levantar templos e ministérios cristãos no mundo e, em particular, na Coréia fazia parte da estratégia ocidental na guerra-fria, isto é, aumentar o numero de crentes criaria um muro para combater o comunismo pensavam alguns especialistas na área, dai houve pesado investimento tanto para Yonggi Cho quanto para o reverendo Moon (o doido coreano que diz que é o Jesus atual e salvador da humanidade).

Foi deste lugar estrategicamente orientado para evangelizar a todo custo e fazer aumentar estratosfericamente o número de crentes no mundo que eles aprenderam isto de encher um milhão no estádio, colocar bandeiras de tudo quanto é pais no lugar de culto da denominação (costume pagão medieval visto que as bandeiras são muitas delas símbolos satânicos e ocultistas de cada povo que ficam lá cercando os pobres crentes que ficam pulando no meio das bandeiras totalmente abertos para a visitação de algum espírito disfarçado de Espírito Santo), todas estas práticas vem do Cristo para as Nações, onde a Ana Paula estudou e vem deste movimento moderno que diz que vai cumprir a grande comissão a qualquer custo. Foi com apoio técnico de engenheiro de som e aparelhagem de ultima geração dos amigos nos EUA que eles conseguiram lançar e mobilizar no mercado nacional “gospel” a propaganda e qualidade técnicas necessárias para fazer o barulho que tem feito.

O Diante do Trono tem uma editora “editora diante do trono”, esta editora tem um livro sobre a Ana Paula. Num dos capítulos chamado musica profética, ela fala dos tais atos proféticos, de pular e gritar no palco, fazer hu,hu,hu feito índio nos ensaios e levar a multidão a fazer os pulos e gestos extravagantes, etc. Da mesma editora “diante do trono” temos um livro da profeta e apóstola, Barbara Wentroble. Esta senhora faz parte do Conselho Internacional de Apóstolos presidido por C Peter Wagner que é praticamente o cérebro em nível mundial de todo o neo-pentecostalismo. Wagner se reune com a Barbara e outros lideres tipo Paul Cain, Gwen Shaw, tommy Tenney e outros, uma vez ao ano para definir os rumos do “mover de Deus” para o ano todo. Eles chamam isto de tavola-redonda e em alguns sites associados a eles tem figuras de cavaleiros medievais, tipo tavola do rei arthur mesmo, nestas reuniões eles dizem que veio anjo do céu com taça de ouro, veio palavra profética revelando qual a melhor data para as tropas entrarem na guerra contra o Iraque, tem profecia dizendo que a rota da seda seria dada aos crentes (e para te esplicar o que é esta tal de “rota da seda” é uma longa historia que vem de antes e durante a idade média, rota da seda era o caminho por onde vinha a valiosa seda chinesa da China para os mercados europeus passando pelo Afeganistão, Irã, Iraque e Siria, ou seja, o tal espirito disse para eles que daria para eles as riquezas das nações contanto que eles fizessem na data certa a guerra contra o Iraque. Eu não estou doido não, doido foram eles ao divulgar na internet uma coisa tão mesquinha, desumana e insensível para com os milhares que estão sofrendo com a guerra, se quiser ler em espanhol está tudo aqui.

Mas voltando a Barbara Wentroble que era uma das profetas na tal reunião doida e que tem um livro publicado pelo Diante do Trono e que foi quem ensinou o pessoal do Diante do Trono e do G12 a fazer Ato Profético, bem a Barbara ensina nos seus livros a ouvir “audivelmente” a voz de Deus e, para quem não sabe, irmãos ao longo das eras com vida piedosa e experiência nas coisas espirituais sempre ensinaram a não se tentar ouvir “audivelmente” o Espírito porque fazendo isto certamente Satanás tentaria imitar e falar com o crente, por cautela entende-se que Deus fala no interior do crente por meio do Espirito Santo que habita no crente e o diabo é o enganador que imita e fala audivelmente, pois bem o livro publicado pelo Diante do Trono chama-se “intercessão profética” e no capitulo que fala de atos proféticos a Barbara explica como eles estavam num congresso de intercessores nos EUA e souberam que um grupo de monges tibetanos estariam na cidade foram eles então de noite para o meio do nada, na beira do rio Arkansas e lá fizeram um ato profético contra os tais monges budistas tibetanos. Consistiu o ato profético segundo o livro da Bárbara publicado pelo DT em colocarem água do rio Arkansas num jarro de barro, acrescentar sal, e orando sobre a água do jarro de barro jogaram de novo a água de volta ao rio declarando palavras de benção para o rio (poluído e sujo): O rio Arkansas vai alegrar a cidade de Deus, haja benção sobre este rio, e blá, blá, blá. Não satisfeitos eles ainda se deitaram no chão em formação de folhas de palmeiras, formando letras V para que o espirito (que certamente não é o Espirito Santo porque este habita nos crentes) e o espirito santo iria passar por entre cada dupla para pelo corredor chegar até o rio Arkansas e purificar as suas águas. Ou seja, este livro publicado descaradamente pelo DT é pura macumbaria, é ou não é? Ana Paula vestida com a bandeira do Brasil e da Bahia cantando para as multidões hipnotizadas, ora isto aconteceu na gravação do ultimo CD em Salvador e para quem não sabe a bandeira da Bahia é simplesmente um tringulo branco e outros simbolos e cores esotericas e misticas feita por maçons. Que cabimento tem um servo de Deus, que deveria ser um embaixador da patria celestial, se fantasiando com bandeiras terrenas suspeitas de serem pactuadas com o ocultismo? Atos proféticos? Eu tenho até medo de saber a que ponto eles chegam com estes tais atos doidéticos. Olha eu não digo que não haja pessoas que estejam realmente conhecendo a Jesus por meio de tais insanidades perigosas mas dai a dizer que isto é aceitável a Deus e que é dentro da vontade de Deus é imaginar João Batista dando tapinha nas costas de Herodes e seus politicos do jeito que Rene Terranova e os pastores da Igreja Batista da Lagoinha dão tapinhas nas costas dos politicos da Bahia e de outros lugares.

Número, estatisticas e dominio do mercado não quer dizer que não seja um tremendo engano e apostasia. Jesus foi claro quando disse: Mt 24:5 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. Mt 24:11 E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E note que Jesus estava falando de gente que vem “em nome de Jesus”, ou seja, é exatamente o ensino da escola Rhema do Keneth Hagin (e 90% dos professores da escola de treinamento do DT veio da escola Rhema dos EUA sendo que alguns são ex-alunos de Hagin). Eles ensinam que o crente pode exercer a mesma autoridade de Jesus e que o crente é um pequeno deus, um deus com “d” minúsculo. Com sutilezas deste tipo MUITOS estão sendo enganados.

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Texto de Alexandre Rodrigues, também postado pelo Pr. Lindemberg Ferreira, e enviado pelo Pr. Timóteo Sanches. O responsáveis pela divulgação: Lion de Zion e Púlpito Cristão.

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Por Lourenço Stelio Rega
Este upgrade de cristianismo também acabou por transformar a vida cristã numa espécie de ritual que o fiel procura praticar para conquistar as bênçãos de Deus, ou mesmo para evitar o seu castigo

Assim como já se fez um upgrade de Deus para a versão 2.0, é possível observar que, ao longo do tempo, tem surgido uma nova versão do que seja um cristão.

O que torna alguém cristão? Hoje ser cristão acabou se reduzindo a “ir à igreja”, mas me pergunto “Se Cristo morreu por sua igreja, nesta perspectiva ele morreu por tijolos, madeira e equipamento eletrônico?”. Nós não somos a igreja? Igreja passou a ser um local, não mais gente salva pelo precioso sangue de Jesus Cristo. “Ir à igreja” passou a ser um ritual, se for, é abençoado, se não for, é castigado. Desse mesmo modo, ser cristão tem sido trabalhar na igreja. Quanto mais trabalho, mais sou abençoado, mais cresço na vida cristã.

Mas também se tem reduzido o ser cristão a ir aos cultos, ter certa crença ou ideologia, contribuir financeiramente, em especial para ser recompensado por Deus numa espécie de relação mercantil.

Por outro lado, este upgrade de cristianismo também acabou por transformar a vida cristã numa espécie de ritual que o fiel procura praticar para conquistar as bênçãos de Deus ou mesmo para evitar o seu castigo. Assim, participar de eventos ou de cultos, ter um tempo diário para ler certo número de capítulos da Bíblia, orar a Deus, seria uma espécie de mandinga para ganhar o favor de Deus ou para evitar ter pesadelos à noite ou nas finanças pessoais.

Ao longo do tempo fomos lançando versões beta deste tipo de cristianismo e incutindo na mente do cristão que ele poderia, com seus próprios esforços, agradar a Deus vivendo um cristianismo de obras e numa relação de trocas. É a herança pragmática norte-americana que conseguiu reduzir cristianismo em trabalho, deixando de lado a sua essência, mas também a teologia da graça que indica que nossas obras não apenas não servem para nos salvar, como também, sendo imperfeitas (Isaías 64.6) não conseguem atingir os elevados ideais de Deus.

Precisamos reconquistar a perspectiva bíblica em nossa concepção de cristianismo de modo que ser membro da igreja, trabalhar, contribuir financeiramente para a igreja, ir aos cultos, sejam fruto de uma vida íntima aos pés do Senhor e não agente produtivo desta vida. Talvez por isso seja possível notar certo grau de carnalidade na vida eclesiástica. Ler a Bíblia, orar, sejam fruto de insaciável sede de comunhão com Deus. Participar no culto público seja produto de uma vida diária de adoração no altar de Deus.

Que o sentido mercantilista seja substituído pelo ato de dar deliberadamente com alegria, sem restrições de porcentagem, pois afinal, ser cristão é negar-se a si mesmo e devolver tudo a Deus, a quem pertencemos. É reconhecer nossas imperfeições e nos sentimos agasalhados pela sua graça, nos entregando a ele como seus instrumentos, canais de seu poder, de seus atributos.

Nada mais do que sermos meros cristãos versão 1.0.

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Fonte: Revista Eclésia

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O paradoxo da grandeza

Por Domingos Rodrigues Alves

Fernando Pessoa no seu inesquecível “Poema em Linha Reta” confessa estar cansado de semideuses, porque não encontrou alguém grande o suficiente para, com dignidade, assumir-se humano e por isso mesmo sempre contraditório, muitas vezes fraco e outras tantas, vil. O caso é que todos gastamos a vida buscando grandeza. Jamais admitimos que somos um paradoxo, mortais e imortais ao mesmo tempo, santos e ao mesmo tempo pecadores. Luzes que muitas vezes enchemos a sala com nossas sombras. Tão magníficos e tão pequenos.

Paradoxalmente, o único ser realmente grande fez-se humilde e viveu por trinta e três anos em um dos lugares mais pobres de sua região. Mesmo sendo o Criador, uma vez humanizado, aprendeu o ofício de carpinteiro para se sustentar. Mesmo sendo adorado por anjos, recebeu humilde o escárnio dos homens e jamais se defendeu – ainda que tivesse todo o potencial destrutivo em suas mãos.

Ele é onipotente, mas não tem a empáfia do poder, que leva à prepotência.

Sua onipotência – o poder máximo que se pode imaginar – levou-O a ter misericórdia dos impotentes. Sua perfeição tão somente O aproximou dos imperfeitos. Sua santidade O apaixonou pelos pecadores. Sua grandeza encheu seu coração de compaixão pelos pequeninos. Sua justiça O encheu de misericórdia pelos injustiçados. Eis a verdadeira grandeza. Aliás, o poder ganha um sentido maior e mais bonito quando, capazes de destruir, dominar, aniquilar, escolhemos restaurar, construir, abrir mão, simplesmente, por amor.

Esse é Deus e assim deveríamos ser, uma vez que somos sua imagem. Todavia, nossa busca pessoal pela grandeza afasta-nos definitivamente dela.

Faço coro com o questionamento do Poeta em sua “Teologia em linha reta”:

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

O grande torna-se ainda maior quando se apequena por amor aos humildes. O pequeno, torna-se insignificante quando arroga-se da grandeza que não tem.

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Fonte: Domingos Alves, via Poimênia

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Por Alex Esteves

“É perigoso calar a verdade sob o argumento de que ninguém é perfeito. A humildade em reconhecer a própria torpeza deve sempre conduzir ao arrependimento, e não ao cinismo, tampouco ao conformismo”.

Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, clama o apóstolo Paulo em atitude revolucionária (Rm 12.2). Notem-se as palavras de ordem: não se conformar; transformar-se, renovar a mente.

O inconformismo é uma das marcas do cristianismo bíblico. O cristão é um inconformado por natureza. O cristão anda em revolta contra o sistema pecaminoso que impera no mundo. O cristão tem que ser indignado. Por isso, a Igreja sempre está em conflito com a sociedade, de um modo ou de outro. Quando um grupo cristão se conforma aos valores sociais do seu tempo, algo está muito errado. Uma dose de conflito sempre é necessária.

Não me refiro a conflito físico, mas a conflito moral e espiritual. As igrejas que estão muito afinadas com a sociedade estão mal diante de Deus, porque o Senhor não aprova os padrões deste mundo.

Por mais estranho que possa parecer, o legalismo evangélico aproxima as igrejas do mundo, em vez de afastar. Isso porque, sob a capa farisaica de uma santidade meramente exterior, cria-se uma cultura religiosa que não incomoda os poderes das trevas. Os não crentes vão nos tratar com um respeito indiferente, entendendo que somos mais um grupo social-religioso na grande teia pluralista dos agrupamentos sociais.

Não se conformar é não tomar a forma, o modelo do mundo. Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, moldando-nos do pó da terra. Iríamos nós, agora, nos desumanizar adotando uma forma diferente?

A segunda palavra de ordem é a da transformação pessoal. Eu preciso entender que posso mudar o mundo, e que a minha esperança juvenil não é loucura de um jovem sem maturidade. Poderei mudar o mundo na medida em que puder mudar a mim mesmo, pelo poder que há na Palavra de Deus, o poder do Espírito Santo, ofertado mediante a fé no sacrifício do SENHOR Jesus Cristo. Transformar a mim mesmo já é em si uma tarefa para um revolucionário!

A terceira e derradeira palavra de ordem é a da renovação da mente. Ora, Paulo tinha mesmo um conhecimento formidável, pois hoje o que se diz cientificamente é que o que o homem pensa de si mesmo irá determinar seu modo de vida, suas ações. Eis uma das contribuições da Psicologia. E, mais do que isso, precisamos entender que Paulo não era gnóstico, porque não é o conhecimento puro e simples que salva, mas o conhecimento de Cristo, o Único que pode resgatar o Ser Humano dos seus pecados.

Uso o texto de Rm 12.2 para combater o conformismo, a acomodação, a desesperança, o cinismo, a tolerância para com o pecado. Precisamos ser mais humildes, sim, precisamos nos arrepender dos nossos pecados, sim, e depois levantar a cabeça e denunciar os desmandos e desatinos de líderes que tomam a dianteira de rebanhos inteiros destinados à desnutrição espiritual ou, quem sabe, à morte.

Que jamais percamos a esperança. É ela que nos move adiante!

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Fonte: Alex Esteves

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Por Márcio de Souza

Um raro momento… Peguei-me ouvindo uma rádio evangélica! Papo vai, papo vem, e entre as propagandas, uma me saltou aos ouvidos: “Venha receber a unção de rei e aprenda a lidar com ela através de três americanos especialistas em empresas de sucesso, eles te ensinarão a administrar a unção de rei!”

Fiquei estupefato! Unção de rei? Meditei nisso o resto da tarde. No que consistiria? Você recebe a unção e é coroado, exerce ministério de rei, senta num trono e corre o risco de receber muita prosperidade? Fui mais a fundo e constatei o seguinte: seja lá o que for a unção de rei, ela não está de acordo com as escrituras.

Jesus a todo tempo desprezou esse título, toda vez que alguém insistia em colocar uma coroa em sua cabeça ele recusava. Viveu com o necessário e não como um rei, comia como um plebeu e se vestia de forma comum a todos os habitantes de sua localidade. Varrendo a Escritura de Gênesis a Apocalipse, não há nada que aprove a unção de rei e confirme seu estilo de vida.

De onde essa comunidade tirou essa história? Porque estão falando de administrar uma unção que não tem valor? Porque não fazem um seminário com a unção de SERVO? Deve ser porque não da lucro hoje em dia ser servo, não enche igreja e não da IBOPE. Outra coisa que me intrigou é que isso é coisa de americano, e de americano empresário. E como costumamos comer todo lixo que vem da teologia americana, eu não hesito em vos alertar… afastem-se desse curso. A única coroa da qual éramos dignos Jesus usou por nós, e não era uma coroa de ouro, era feita de espinhos!

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Postado por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão

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Por Levi Bronzeado
Servir a Deus é sacrificar o seu lazer semanal do domingo para durante uma ou duas horas discutir o sexo dos anjos e outros assuntos afins?

Servir a Deus é imbuir-se de um inflamável espírito de triunfalismo que não admite derrotas e desilusões, como se o viver fosse a própria negação do sofrimento?

Servir a Deus é não questionar nada que vá de encontro às “verdades espirituais” preconizadas pela sua instituição religiosa?

Servir a Deus é estar diuturnamente preocupado em ganhar o mundo para Cristo, esquecendo os cuidados básicos com os seus, em seu próprio lar?

Servir a Deus é construir templos suntuosos e colocar líderes impecavelmente vestidos em seus ornamentados púlpitos “cristãos”, para serem vistos como intocáveis e irrepreensíveis oráculos do reino dos céus?

Servir a Deus é mostrar cada vez mais ostentação e riqueza à medida que a igreja cresce numericamente?

Servir a Deus é ter muita cautela para não estabelecer com o seu Pastor uma relação espontânea de amizade e afeto, para que ele não o reprove nem o censure?

Servir a Deus é se martirizar dia a dia, mascarando a sua própria individualidade, numa tentativa inócua de exteriormente, identificar-se com o seu líder?

Servir a Deus é infundir medo nos corações das pessoas, para que elas se rendam e fiquem passivamente aprisionadas entre as quatro paredes “sagradas” do templo?

Servir a Deus é vender planos pessoais de salvação em prestações suaves e módicas com juros supostamente menores que os de mercado?

Servir a Deus é dizer para a criança que se ela não se comportar decentemente na igreja, Jesus fica triste e o Diabo alegre?

Servir a Deus é trocar a estrutura familiar opressiva por um sistema religioso que desumaniza em vez de humanizar?

Servir a Deus é torcer pela igreja como quem torce por um time de futebol, onde o que mais interessa é a vitória, mesmo com gol roubado pelo juiz da partida?

Servir a Deus é abdicar da liberdade de discordar, a fim de manter uma relação de amizade aparente com o seu líder?

Servir a Deus é nunca tentar fugir dos padrões convencionais do culto evangélico pasteurizado?

Servir a Deus é ter todo o seu tempo dedicado ao cumprimento das obrigações eclesiásticas?

Servir a Deus é se imiscuir no meio de multidões ruidosas em passeatas para Cristo, sem atentar que o que elas mais almejam é demonstrar o “poder político” de suas instituições eclesiásticas?

Servir a Deus é buscar apaixonadamente a hegemonia de sua igreja, mesmo que para atingir este objetivo, tenha que falar mal das outras denominações?

Servir a Deus é um investimento que fazemos com muito suor e sacrifício, no intuito de lá na frente, recebermos uma grandiosa recompensa?

Servir a Deus é fazer amigos com as riquezas adquiridas de maneira suja, para depois de lavá-las, serem trazidas ao altar, com o rótulo falso de “dinheiro purificado?

Servir a Deus é fazer parte de uma engrenagem que para manter a coesão do grupo se faz necessário adiar por tempo indeterminado o amadurecimento pessoal?

Servir a Deus é deixar de desfrutar as delícias que Ele nos deixou aqui na terra, em troca de uma castradora e violenta religiosidade?

Servir a Deus é combater compulsivamente os erros dos outros, e fechar os olhos para os demônios que habitam dentro de nós?

Ao responder com um SIM as perguntas acima, o leitor estará simplesmente concordando que, SERVIR A DEUS é prendê-Lo nos limites estreitos de uma instituição, instituição essa, que à maneira de um asilo, oferece guarida a nossa loucura de pensar que podemos definir o indefinível, de pensar que podemos reduzir ou conceituar o indecifrável, de pensar que podemos mensurar ou fixar conceitos e regras sobre um Deus que é indizível e que está em pleno e puro movimento.

E assim, como doentes mentais que perderam a maravilhosa capacidade de pensar, vamos perecendo pela vida afora. Vamos perecendo, ao permitir que outros pensem por nós, guiando-nos aleatoriamente nas densas trevas da ignorância.

Há um ditado popular que expressa uma cruel realidade, ao afirmar que a Bíblia do protestante cheira a “sovaco” por estar sempre debaixo da axila direita; ao passo que a do católico cheira a “mofo”, por estar sempre posta num oratório, eternamente aberta em um dos capítulos do livro de Salmos.

Uma interessante passagem do livro de Isaias (730 a.C.) reflete com todas as letras o estágio em que nos encontramos hoje, senão vejamos:

“…Dá-se o livro ao que não sabe ler dizendo: Por favor, lê isto; e ele dirá: Não sei ler. Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim. O seu temor para Comigo consiste só em mandamentos de homens, em coisa aprendida por rotina”. – Isaias 29; 12 e 13

Que pena! Depois de decorridos tantos anos, se faz necessário evocar uma frase emblemática dita pelo profeta Oseias (700 AC) cujo eco, ainda hoje, continua a bater forte nas paredes resistentes de muitos corações: “O meu povo padece por falta de conhecimento”.

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Fonte: Ensaios & Prosas, blog do Levi Bronzeado, onde você encontra reflexões polêmicas e interessantes acerca do cristianismo.

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Marcha soldado, cabeça de papel

Por Robinson Cavalcanti
Há cerca de um quarto de século, um ministro anglicano no interior da Inglaterra, diante da divisão do Corpo de Cristo e do avanço do Secularismo, teve a feliz ideia de convidar colegas de outras igrejas para fazerem uma passeata pública como demonstração de unidade e expressão de fé. Já que a semana que precede o Dia de Pentecostes (no calendário das Igrejas Históricas) é dedicado à unidade dos cristãos, tal evento deveria acontecer sempre no sábado da semana anterior à festa dedicada ao Espírito Santo.

O evento foi denominado de “Marcha para Jesus”* e deveria ser espontâneo e informal. Organizações como a Jocum, a Primus e a Ichthtus compraram a ideia e em 1987 na cidade de Londres, promoveram o primeiro grande evento de massas. Em poucos anos a marcha se propagou por todo o mundo, arrastando multidões cada vez maiores, no que foi jocosamente chamado de “a procissão dos crentes”…

Como tudo no Brasil parece acabar em pizza, samba ou malandragem, eis que a nossa “Marcha” virou marca registrada, patenteada por uma esperta “denominação” pseudo-pentecostal de íntima convivência com o Poder Judiciário daqui e doutras terras. No Brasil a “Marcha” tem dono. Como é um evento único, e uma forma de peitar a sua concorrente, a “Marcha do Orgulho Gay”, muita gente tem participado dela, embora a reboque do “apóstolo”, da “bispa” ou de seus representantes.

E, o que é pior, um ato que em todo mundo é apartidário, aqui virou palanque para os políticos apoiados por seus organizadores, inclusive em ano eleitoral. Políticos a fim de faturar o voto evangélico e que fazem acordos com os seus organizadores, mas que, conforme seja, não teriam problema em subir nos trios elétricos da colorida marcha concorrente.

O falecido ex-presidente da França, general Charles de Gaulle, afirmou certa vez não ser o Brasil “um país sério” (o que muito nos ofendeu). Mas que às vezes parece que o velho general tem razão, isso parece.

Que Jesus não seja um pretexto, não tenha donos e não seja usado como cabo eleitoral! Cada dia marchemos unidos pelo Evangelho de salvação e transformação.
Robinson Cavalcanti

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Fonte: Ultimato, via Vivendo pela Graça.

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Por Renato Vargens

Bastam as eleições se aproximarem, que se torna absolutamente comum aparecer nos arraiais evangélicos, cristãos afirmando que receberam um chamado especial da parte de Deus para se candidatar a algum cargo publico. Entretanto, a história recente do Brasil nos mostra que a chegada de políticos evangélicos a cargos públicos não tem feito diferença na ética política do país, isto porque, o universo político evangélico não constitui, uma referência ética à sociedade brasileira. Basta ver que, nos últimos anos, o envolvimento da maioria dos evangélicos com a política produziu mais males do que benefícios. A CPI do Orçamento revelou o triste fato de deputados e organizações evangélicas roubavam na maior cara de pau o tesouro público. Junta-se a isso o fato de que vários políticos denominados evangélicos sucumbiram a subornos, mentindo descaradamente, vendendo votos e tonando-se assunto de piada em toda nação.

Lembro que certa feita, enquanto oficializava uma cerimônia fúnebre, um destes “pseudos-politicos-cristãos”, solicitou-me uma pequena oportunidade para que publicamente pudesse demonstrar sua solidariedade a família enlutada, além obviamente de falar de sua candidatura à Câmara Municipal da Cidade. Fato que obviamente não permiti.

Em época de eleição é comum receber a solicitação de inúmeros políticos, os quais em nome de “Deus”, advogam a crença de que o Todo-poderoso os convocou a uma missão hercúlea, a qual somente eles conseguirão viabilizar. Tais cidadãos fazem uso de chavões e de frases prontas do tipo: “Somos cabeça e não cauda”, “ A política brasileira precisa de homens de Deus”, e etc.

Ora, não acredito em messianismos utópicos, nem tampouco em pastores especiais, que trocaram o santo privilégio de ser pregador do evangelho eterno por um cargo público qualquer. Não estou com isso afirmando de que o crente em Jesus não pode jamais concorrer a um cargo publico. Tenho convicção de que existem pessoas vocacionadas ao serviço público, as quais devem se dedicar com todo esmero a esta missão. No entanto, acredito que o fator preponderante a candidatura a um cargo qualquer, deve ser motivada pelo desejo de servir o povo e a nação, jamais fazendo do nome de Deus catapulta para sua projeção pessoal.

Agora, se mesmo assim o pastor desejar candidatar-se, que deixe o pastorado, que não misture o santo ministério com o serviço público, que não barganhe a fé, nem tampouco confunda as ovelhas de Cristo com o gado marcado para o abate. Que não comercialize aqueles que o Senhor o confiou, nem tampouco se locuplete do nome de Deus a fim de atingir seus planos e objetivos.

Soli Deo Gloria!

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Postado por Renato Vargens, no Púlpito Cristão.

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Funk gospel, o fundo do posso!


Por Renato Vargens

A denominada música gospel me causa arrepios. Confesso que não suporto mais ouvir tanta bobagem. Se não bastasse isso, eis que surge retumbante neste país tupiniquim o funk gospel. Infelizmente esse ritmo famigerado que tem sido incentivador da promiscuidade e violência nas grandes cidades, agora é evangélico. Para piorar a situação as músicas tocadas além de antropocêntricas, afrontam o bom senso, disseminando no povo de Deus conceitos antibíblicos e anticristãos. Além disso, as letras são extremamente burrificadas, além obviamente de afrontar o vernáculo.

Veja por exemplo essa “pérola” composta por Adriano Gospel Funk:

“Pras irmã e pros irmão
Que curte o som pancadão
Eu mando assim ó:
Vem pro gospel funk
Pra se divertir Com Jesus no coração
Você vai ser feliz então,
vem pro gospel funk
Pra se divertir Com Jesus no coração
Você vai ser feliz então pula e agora dança
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças,
então pula e agora dança
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças,
então pula e agora dança
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças,
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças,
Vem pro gospel funk pra se divertir…”

Pois é, confesso que ao ouvir essa coisa horrorosa fui tomado por um pavoroso sentimento de desespero. Francamente, pare, pense e responda: Isto é música? Por favor, seja sincero e responda: Isso significa louvar a Deus? Ah que saudade da boa música, ministrada, cantada, com unção, cuja melodia e letra eram inspiradas pelo Espírito do Senhor.

Definitivamente parece que nos últimos anos, a igreja de Cristo se perdeu no caminho em direção ao trono do Altíssimo. Sem sombra de dúvidas a coisa está feia!

Que o Senhor nosso Deus tenha misericórdia do seu povo e nos reconduza a sala do trono e que lá possamos adorá-lo integralmente entendendo assim, que a glória, o louvor, a soberania pertence exclusivamente a Ele.

***
Fonte: Renato Vargens

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Violência, um atalho para consumir

Por Márcio de Souza
Ouvindo o bispo Robinson Cavalcanti, percebi que violência não é simplesmente agressão sem fundamento ou reflexos de uma cidade sem leis. Antes disso, é pautada na ânsia de obter poder aquisitivo para consumir o que a mídia e a sociedade de consumo propõem. Não vemos isso claramente porque estamos sufocados com a tarefa de condenar aquele que rouba ou de matar aqueles que traficam.

Essa escala, por mais simplória que seja, rege os pensamentos de ricos e pobres que se deparam com a impossibilidade de adquirir artigos que vão desde um tênis da moda até o mais novo lançamento imobiliário. Essa variação é construída pela falta de oportunidade, pela necessidade de comer ou então pelo simples fato de estar adquirindo o carro que ninguém tem ou morar em um triplex porque a cobertura em Ipanema não tem mais graça. Para os pobres uma questão de sobrevivência, para os ricos uma resposta que satisfaça o status quo.

Responda-me, por favor, qual a chance de um desses meninos que estão nas favelas sendo adotados por traficantes e servindo de mulas para o transporte de drogas? Qual é a chance que um jovem de periferia tem de viver uma vida razoável quando o simples fato de sair e chegar em casa ileso já é um milagre?

Porque os pobres roubam? Eles roubam porque não tem emprego, porque as portas da sociedade estão fechadas pra ele. Ele rouba porque não tem endereço e ninguém se importa, ele rouba porque as madrugadas tem sido frias e eles precisam sobreviver a isso também.

Porque os ricos roubam? Para calar a boca daquele camarada que é tão rico quanto ele e que comprou no jantar de ontem uma belíssima garrafa de champagne Moët & Chandon para mostrar aos demais que subiu na vida.

Erramos porque colocamos a culpa de todas as coisas ruins da sociedade nas favelas, mas os favelados são peixinhos pequenos, e enquanto eles matam e morrem para divulgar a mais nova droga do mercado, os tubarões estão em suas mansões gastando seu dinheiro sujo com orgias e comemorando o sucesso dos guris que mal completaram o jardim mas agora estão ajudando na árdua tarefa de manter a ordem no morro.

Ou a igreja entra na luta como comunidade de fé, expandindo a missão integral ou ela está fadada a mofar no triste universo em que vive.

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Postado por Márcio de Souza, no Púlpito Cristão

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Danilo Fernandes
Eu sei que você, meu leitor habitual, não esperava esta abordagem comercial na reportagem acerca da minha visita à EXPOCRISTÃ. Peço desculpas pelo vício de profissão. Esta primeira impressão sobre a feira é de profissional de marketing. Os outros babados eu conto depois.

A EXPOCRISTÃ me surpreendeu de várias maneiras a começar pelo tamanho. Esperava encontrar coisas lamentáveis por lá e me aborrecer muito. Esta expectativa negativa era muito insuflada por uma percepção de grande pujança econômica, afinal somos R$ 35 milhões de evangélicos, ou não?

Contudo, o que encontrei foi um evento muito acanhado, extremamente mal organizado, mal divulgado e, na maior parte dos casos, stands feios e mal projetados. Enfim, sapequei todos os demais adjetivos negativos comuns aos “feitos organizacionais” da classe gospel. Quem achar diferente não está acostumado com boas feiras de negócios.

Na EXPOCRISTÃ o que se via era muita confusão, pouco volume de vendas, gente reclamando, precariedade de recursos aos expositores, um mix de expositores muito mal equilibrado, falhas básicas no tocante ao conforto e a comodidade dos visitantes (As opções para comer eram nulas! Os banheiros lamentáveis!) e aquela cafonalha gospel que nos acompanha de perto… Um lixo, mas bem apropriado à maioria dos produtos, diga-se!

Os únicos stands que mereciam o passeio eram os das editoras. Neste capítulo, me diverti bastante e acabei adquirindo umas jóias. Claro, que também encontrei um povo lançando uns autores da teologia da prosperidade norte-americanos da pior qualidade. Um prenuncio tenebroso da substituição do queimado Cerrullo. É esperar para ver as “novidades” no programa do Malafaia. Misericredo!

Mas em se tratando de livros, tinha muita coisa boa. As melhores editoras estavam representadas. As minhas melhores escolhas foram duas Bíblias ótimas da GEOGRÁFICA EDITORA: A Bíblia Apologética ICP (com comentários excepcionais sobre as diferentes interpretações denominacionais de passagens escolhidas) e a Edição Comparativa, com os textos da Almeida e NVI lado a lado! Já pensou que prático? As duas são instrumentos fundamentais para editores de blogs apologéticos e amantes da Palavra em geral! Outro dia falo mais destas Bíblias.

E foi só! Tirando as editoras, o que sobrou foram as vendas de excursões para a Israel (os ferrados podiam comprar uma passagem de van para queimar seus pedidos nos jardins da Hebraica de São Paulo. Empreendimento do Rubinho, segundo me contaram. Risos!), os CDs Gospel, os stands denominacionais (pescaria comendo solta!) e, claro, os badulaques. Sobre estes, escrevo depois. Fotografei coisas que até Caifás desconhecia! Por hora, vai um gostinho:

Acima, itens remetendo a referências do AT. Mais abaixo, cópias completamente de toscas de Sefer Torah (os rolos da Torá ou Pentateuco). Coisa para irritar cristãos e judeus. Só mesmo um descerebrado para comprar isto.

Sinceramente penso que o evento bacana de se fazer seria um restrito às editoras e só. Os shofares, os óleos, as arcas, as roupas cafonas e demais tretas, bem caberiam em uma feirinha de rua. Contudo, penso que se fosse assim, estes saduceus perdidos no tempo correriam o risco de lhes virarem os tabuleiros! Olha, eu mesmo, se fosse na rua e num dia ruim, era bem capaz de meter o pé numa bancada destas bugigangas detestáveis. Mas na EXPO não deu. Tinha lá a PM DE CRISTO!

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Danilo Fernandes é colaborador do Pulpito Cristão e editor de Genizah

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Sobre a minha abalável fé

Por Leonardo Gonçalves

Hoje vi alguém afirmar que “o cristianismo é uma aposta sem riscos”. Não sei quem é o autor desta frase, mas sei que a visão do cristianismo como uma aposta remonta ao filósofo Blaise Pascal. Partindo da premissa de que é impossível “provar” que Deus existe, Pascal conclui que, de um jeito ou de outro, todos nós jogamos dados com Deus, mesmo ele não jogando dados com o Universo.
Impossível não concordar com Pascal. Infelizmente (ou não), ser cristão é uma aposta. E não só uma aposta, mas um penhor: Você entrega sua vida aqui, para receber algo melhor no além.

É ainda um salto no escuro, como disse Kierkgaard. Nos aventuramos a seguir um Deus que não vemos, e a prova da sua existência e da nossa esperança se reduz em fé (Hb 11.1).

Houve um tempo em que eu pregava um cristianismo acima de qualquer dúvida. Debatia com ateus, explorava os argumentos de Anselmo e Aquino, dissecava livros do Geisler e do Craig, e assim vendia a idéia de um cristianismo acima de qualquer suspeita. Eu era tolo e não sabia…

Hoje, alguns anos mais tarde, descobri que a dúvida é parte de um “pacote” chamado cristianismo. Há lacunas em nosso conhecimento que jamais serão preenchidas. Seguir a Cristo é apostar que tudo o que Ele disse é verdade.

As almas sinceras hão de admitir: Não temos todas as respostas, embora tenhamos respostas suficientes. Não possuímos toda a fé, embora Cristo nos aperfeiçoe na fraqueza. Não sabemos tudo sobre Deus, mas cremos que ele sabe tudo sobre nós.

As vezes me pergunto: Onde foi que eu andei este tempo todo? E a resposta que encontro é a mesma: Longe, muito longe do Senhor. Com a cabeça cheia de argumentos, mas com o coração oco. Mas eu tinha certezas! Agora, ao contrário daqueles dias, tenho muitas dúvidas. Não entendo porque tem tanta gente boa se arrebentando, se machucando; e tanto hipócrita se dando bem.

Os versos assimétricos do poeta Renato parecem refletir a verdade com uma força indizível: “É tão estranho… Os bons morrem jovens. Assim parece ser.” Quem é bom quase sempre se dá mau. O mundo é injusto as vezes, e eu não sei porquê.

Porém, apesar de todo esse existencialismo, das repentinas (e passageiras) incertezas, eu nunca me senti tão perto de Deus! É um paradoxo, eu sei, mas tal como as trevas evidenciam a luz por contraste, também a fé se fortalece na dúvida. E eu poderia te dizer qualquer outra coisa, mas isso não seria sincero. Poranto, o que digo é: Você deve crer em Deus, mesmo em face deste mundo injusto, e confiar na Palavra dele de que um dia a justiça reinará.

Minhas dúvidas nunca acabam. Ontem duvidei, por um instante desesperador chorei. Eu quis entender e não pude (e talvez jamais possa). “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos”.

Mas há um fato irrefutável. Deus me deu uma certeza que nenhum manual de doutrina cristã pode dar. É quando “O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. Ah… certeza insofismável! Em um instante a nuvem escura se dissipa e a paz novamente reina (ainda que momentânea). “Paz… paz… Cuán dulce paz!”

“E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade.”

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Dedico esta postagem ao amigo Danilo Fernandes, editor do blog Genizah, companheiro de milícia, e de lágrimas.

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